Redação Tribuna do Norte
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00h12

Por Alice D’Antas
Em um mundo que parece correr cada vez mais rápido, onde somos bombardeados por informações e expectativas, é fácil esquecer a beleza escondida nas pequenas coisas. Vivemos olhando para frente, perseguindo metas, contando os dias para algum acontecimento importante, enquanto a vida acontece silenciosamente ao nosso redor.
Um raio de sol que atravessa a janela pela manhã, o cheiro de café recém-passado, o canto distante de um pássaro ou o som de uma risada sincera; são esses momentos discretos que, muitas vezes, carregam os significados mais profundos. Eles não anunciam sua chegada nem pedem atenção. Apenas acontecem.
Hoje, parei por um instante para observar o movimento das folhas em uma árvore. Não havia nada de extraordinário na cena: apenas o vento brincando com galhos, um balé simples e silencioso. A luz da tarde desenhava sombras no chão e, por alguns segundos, o mundo pareceu desacelerar.
Mas, por algum motivo, aquilo me trouxe uma paz inesperada. Talvez porque, no fundo, a vida seja feita dessas pequenas pausas, desses instantes em que nos permitimos apenas ser. Em que deitamos a alma no silêncio.
Lembrei-me de como os poetas costumam enxergar o que ninguém vê. Carlos Drummond encontrava universos inteiros nas esquinas da rotina. Já Manoel de Barros fazia poesia das insignificâncias, como se o mundo revelasse seus maiores segredos justamente nas coisas desprezadas pelos apressados.
Os compositores também conhecem esse mistério. Nas canções de Tom Jobim, uma tarde, uma chuva fina ou uma paisagem comum ganham a dimensão da eternidade. E Milton tantas vezes cantou a delicadeza dos encontros, dos afetos e das memórias que cabem num simples olhar.
Às vezes, buscamos grandes feitos para nos sentirmos vivos. Imaginamos que a felicidade virá acompanhada de aplausos, conquistas extraordinárias ou mudanças radicais. No entanto, são os detalhes que nos ancoram.
Um bilhete escrito à mão, um cumprimento caloroso, o perfume da terra depois da chuva, o reencontro com uma foto antiga ou o conforto de uma música que parece traduzir o que sentimos. Há um milagre escondido nessas experiências.
São fragmentos frágeis e fugazes, é verdade. Mas talvez justamente por isso sejam tão preciosos. Como a luz dourada de um fim de tarde, eles duram pouco e nos ensinam, sem palavras, o valor de um breve instante.
Há dias em que um sorriso recebido na hora certa vale mais do que uma grande celebração. Há tardes em que o simples ato de caminhar por uma rua conhecida nos devolve uma alegria que julgávamos perdida. Há noites em que o céu estrelado parece nos lembrar que fazemos parte de algo maior.
Talvez a sabedoria esteja em aprender a notar. Em afinar os sentidos para aquilo que sempre esteve ali. Em compreender que a vida não é apenas composta pelos grandes acontecimentos que registramos em fotografias.
Deixe que esses instantes o surpreendam. Permita-se desacelerar alguns minutos e escutar o que diz o cotidiano. Talvez você descubra que a felicidade não mora em lugares distantes, mas bem perto, nos gestos mais simples.
Porque, no fim das contas, a magia da vida não costuma fazer barulho. Ela se espalha em pequenos pedaços de luz, em lembranças, encontros, silêncios e nos afetos. Está nas coisas aparentemente comuns, esperando apenas um olhar atento para transformá-las em algo extraordinário.
Deu PT
A nova operação da PF contra Jacques Wagner é a volta da investigação ao berço do escândalo do Banco Master, iniciado no governo petista da Bahia. As redes sociais baianas nacionalizaram um título de thriller: Jacques Master.
Reação
A comentarista lulopetista Miriam Leitão correu para inserir na análise da operação contra Jacques Wagner uma discreta passada de pano para diminuir o protagonismo do PT na engenharia corrupta do esquema Banco Master.
Blindagem
O envolvimento da facção petista com Vorcaro não se resume ao líder do governo Lula no Senado. Tem mais gente como tem no roubo do INSS e espera-se que Jacques Master não seja um sacrifício para livrar o Lulinha.
As quengas
Favor não confundir com o bloco que é tradição no carnaval de Natal. O termo com Q ganhou manchetes num telefonema de Daniel Vorcaro solicitando um avião para transportar as putas acompanhantes de políticos e autoridades.
Delinquência
Nas diversas terminologias para a atividade da propaganda, há o marketing político, marketing de varejo, endomarketing, marketing de guerrilha… Este último ganhou similar, o marketing delinquente, com promotores de crimes.
Confissão
Do Stalinácio ao alemão Merz, lá no G7: “Nos EUA, os republicanos vão ficar, na França os socialistas estarão menos tempo. Hoje o mundo não é de esquerda, é verdade. Eu nunca fui de esquerda, só fui um dirigente sindical”.
Combate
De Elon Musk, sobre o ativismo nocivo de George Soros: “Ele gasta metade de sua fortuna influenciando eleições e pagando manifestantes profissionais e arruaceiros. Está na hora de alguém mostrar a ele como ele é impotente”.
Genialidade
Do mano Graco, lendo a chuva de manchetes endeusando Lionel Messi: “Uma vez Pelé disse que seu pai Dondinho fechou a fábrica… Mas o pai de Messi, seu Jorge, tratou de abrir outra fábrica do mesmo produto lá em Rosário”.
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