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A importância do voto da Anitta

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Por algum motivo sazonal ou meteorológico, sempre que se aproxima uma eleição, a cantora Anitta vai para as manchetes. É um fenômeno bem mais previsível que o El Niño. E diz muito sobre o que é a sociedade brasileira hoje.

A premissa de que pessoas famosas têm lições de vida a dar ao público é tão furada quanto persistente. Como a notoriedade amplifica necessariamente tudo que é dito por aquela pessoa, de alguma forma ficou convencionado que ela exercerá aquela indiscutível influência dizendo aos mortais o que eles devem fazer ou pensar. A celebridade ou subcelebridade que não dá conselhos políticos hoje é quase um extraterrestre.

Infelizmente, não é só um problema de carreirismo ou lacração. Esse tipo de demagogia hoje é parte de uma estrutura já bastante avançada de poderio artificial. Conseguiram transformar causas humanitárias (reais) em cosmética a serviço do mais moderno fisiologismo estatal. Em outras palavras: é a desfiguração da ideia de representação democrática.

Atualmente, não só no Brasil, existe uma forma de estigmatização e cerceamento dos que não repetem as cartilhas “progressistas” — que, por sua vez, são a base da imposição dos políticos a serviço desse sistema artificial. É uma rede de autoproteção fisiológica, fantasiada de resistência democrática contra o inimigo imaginário. O inimigo real é o povo.