Em uma praia do Rio, experimente o seguinte: deite numa canga (com travesseirinho de areia embaixo, por favor) e feche os olhos. Preste atenção à caótica e deliciosa trilha sonora local. “Ô mate!”, “Mate limão e bixxxcoito”, “Heineken, Stella, olha o latão…”. É música para os ouvidos. Cariocas gostam desse fuzuê, que fica mais gostoso ainda se contar com o inconfundível “Poc! Poc!” das bolinhas de frescobol ao fundo.
Patrimônio imaterial do Rio desde 2015, o jogo sempre foi uma ode à não competitividade, em que o importante é explorar os pontos fortes do parceiro (jamais adversário), ao contrário dos outros esportes.
“O frescobol é elegante e dinâmico o tempo todo”, já dizia Millôr Fernandes.
Ele foi pioneiro da modalidade mais raiz, sem vitoriosos ou derrotados, e exaltava exatamente esse aspecto do “me ajuda que eu te ajudo” do bate-bola despretensioso, mas nem por isso pouco vigoroso. Vieram, há alguns anos, os campeonatos com velocidade da batida aferida por radar, regras, minutagem, o escambau. Era tudo o que Millôr não queria.
Mas recorro a ele para falar da elegância do jogo, quase uma dança entre duas (ou até três) pessoas —quanto mais entrosadas, melhor. Manter a bola no ar, “no trilho”, atacando e defendendo com potência e elasticidade é de uma beleza quase artística, à qual cariocas já estão acostumados. É mais ou menos como ver o Chico Buarque caminhando no calçadão. Normal.
Foi preciso o olhar estrangeiro de uma grife inglesa para apostar tudo na sofisticação sutil do esporte e no lifestyle da minha aldeia. Virou case de sucesso.
Frescobol Carioca é, descobri outro dia, uma loja estilosa de Nova York, meio Richards, meio Osklen, que vende raquetes artesanais, shorts em linho, peças de alfaiataria. Sua sede fica em Londres e a marca faz parcerias com hotéis chiques como o Cipriani, da rede Belmond, em Veneza. É quiet luxury que fala, né?
Chora, beach tennis.

