Redação Tribuna do Norte
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Ninguém tem mais credenciais, por inegável folha de serviços prestados, do que o ex-reitor Ivonildo Rêgo na defesa do valor da UFRN. É a maior, mais importante e mais transformadora instituição nas suas mais de seis décadas. No artigo que publicou nesta TN, alinhou compromissos e desafios. Lembrou das muitas vozes que devem ser ouvidas, do diálogo aberto com a sociedade e das respostas que precisa produzir em favor do desenvolvimento na construção segura do futuro.
Com quarenta mil alunos, quase três mil professores, entre efetivos e temporários, a UFRN, nos últimos quase trinta anos, tem sido atuante na formação profissional e nas pós-graduações, além de promover a pesquisa e a extensão. Principalmente, com hospitais de referência e o Instituto Metrópole Digital. Mas, perdeu a sua força mobilizadora. De centro do debate das questões que envolvem as lutas coletivas e democráticas, hoje é prisioneira da bolha que a fechou em si mesma.
Quem tiver olhos livres do corporativismo perceberá, com nitidez, o silêncio conformista, quase o gueto, quando é uma instituição que reúne cientistas nas áreas de política, economia e direitos da cidadania. Uma instituição do seu porte, fincada neste Estado, crivado de profundas desigualdades e insegurança social, todo silêncio é cúmplice e toda omissão é injustificável. Tanto mais quando se sabe que sua isenção é a melhor garantia para o debate sem a tintura dos interesses.
Não faz muito tempo, o professor Roberto Amaral incluiu as universidades na relação dos grandes silêncios que amordaçam e ensurdecem a sociedade brasileira, quando poderiam quebrá-los com vigor crítico. Estão mudos e surdos os sindicalismos patronal e laboral; o melhor da classe política, as principais vozes das instituições privadas, como as Confederações da Indústria e do Comércio, sem falar na Ordem dos Advogados. Todos calados, como se nada precisasse ser dito.
Aqui, duas instituições, do sindicalismo nas suas duas vertentes, mergulharam no silêncio que se não chega a ser cúmplice é, quando nada, leniente: a Universidade e a OAB. Negam a robustez de suas independências ou, pior, a escondem com o comodismo de um deixa-pra-lá, relegando a sociedade a uma orfandade absoluta. Para não citar os desmazelos das suspeições que hoje enxovalham o Supremo Tribunal Federal, o grande guardião das liberdades constitucionais.
O novo Reitor, seja quem for, tenha as raízes que tiver e represente a quem representar, tem um desafio: livrar a UFRN do espírito comportado de repartição. Furar a bolha magnífica e libertá-la do gueto. Fazê-la, de novo, o centro das ideias mobilizadoras. Para nutrir a sociedade de nomes qualificados no encontro do saber com o saber-fazer. Como no passado, quando ofereceu à sociedade que a mantém a excelência dos seus melhores pensadores, estudiosos e planejadores.
PALCO
MURO – Os tucanos do Potengi não fugiram ao pobre destino que escolheram depois de Fernando Henrique Cardoso e, por isso, o partido perdeu o protagonismo da social-democracia. É uma pena.
ALIÁS – Foi por marcar a posição com um pé dentro do governo e outro fora que perdeu nomes e a própria coesão. Na próxima legislatura, sem o mando do Legislativo, pode perder todo relevo.
PUNIÇÃO -A Marinha do Brasil acaba de ser punida pelos seus ataques contra a dignidade e a memória de João Cândido, o ‘Almirante Negro’. A Justiça mandou pagar R$ 200 mil à família.
ADEUS – O Brasil perde Carlos Guilherme Mota, professor emérito da USP. Os seus livros – ‘Ideologia da Cultura Brasileira’ e a ‘História do Brasil, uma interpretação’, são duas referências.
PRESENÇA – O arcebispo Dom João Santos Cardoso é o convidado do Conselho Estadual de Cultura, ele que lidera a luta pela beatificação do Padre João Maria, o santo da bondade humana.
TIRO – De Conrado Hübner, doutor da USP em ciência política, sobre o estilo de Flávio, o herdeiro do vício do pai: “É o ativista do direito de mentir a lutar contra o direito de não acreditar”.
POESIA – Do poeta Eucanaã Ferraz, do novo livro de poemas – ‘Aramão – verso arrancado do longo e forte poema ‘A Idade da Pedra’: “Eram azuis todas as casas suburbanas em que morei”.
LUTA – De Nino, filósofo melancólico do Beco da Lama, como quem confessa uma derrota: “É muito fácil seduzir. Às vezes, basta ter a beleza. O difícil é conquistar o coração de uma mulher”.
CAMARIM
PASTOR – É como proclama João Medeiros, o padre que é um teólogo além do saber comum do seu tempo: “Monsenhor Lucas é o maior pastor da Arquidiocese de Natal. Nasceu no mesmo dia e mês do padre João Maria, o ‘O Anjo de Natal”. Por isso mereceu as suas bênçãos e a sua graça.
PEREGRINOS – “Nos caminhos do Seridó, na cultura e na fé do Padre João Maria”, é o tema dos peregrinos que partem dia 10 de julho guiados pelo Monsenhor Lucas Batista. A reflexão começa dia 29 próximo, na Catedral, com celebração presidida pelo Arcebispo Dom João Santos Cardoso.
SAÍDA – A saída mais eficiente para se saber se houve erro no projeto ou na execução da engorda de Ponta Negra é ouvir o depoimento da empresa. Com sede nos EUA e grande experiência na área, vai esclarecer. E deverá mostrar que o problema é de natureza hidráulica e não da engorda.
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