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Universidade sem censura – 13/05/2026 – Opinião

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A polarização político-ideológica impactou de modo nefasto os princípios fundamentais que regem o ensino superior, por vezes criando um ambiente intelectual sufocado por práticas persecutórias. Como reação necessária, professores e pesquisadores lançaram o Manifesto pelo Pluralismo e pela Liberdade Acadêmica —que já tem mais de mil assinaturas.

Interditos se dão seja por meio de notas de repúdio e campanhas em redes sociais contra docentes, pesquisadores e alunos, seja por meio de boicote a aulas, cancelamento de eventos e intimidação de palestrantes.

Exemplos não faltam. Pesquisa da Universidade Federal Fluminense compilou mais de cem casos nos últimos anos, entre eles o abaixo-assinado de estudantes da USP contra o retorno da professora Janaina Paschoal.

Em 2022, candidatos do Novo foram impedidos de dar palestra na Unicamp; no ano seguinte, ativistas e pesquisadores declararam Richard Miskolci, professor da Unifesp, persona non grata por sua crítica ao conceito de cisgeneridade; em 2024, a UnB cancelou o curso do professor Jorge Gordin, da Universidade Hebraica de Jerusalém, após protestos antissionitas do alunado.

Trata-se de condutas inaceitáveis no ambiente acadêmico. Afinal, o respeito a ideias divergentes, à liberdade de expressão e ao debate racional, baseado em dados e critérios técnicos, é condição essencial da produção de conhecimento. A universidade é, por natureza, antiautoritária.

Por isso, o manifesto demanda o comprometimento com três pilares. Primeiro, a neutralidade institucional: “universidades devem evitar adotar posições oficiais sobre questões políticas ou ideológicas”. Já a liberdade acadêmica exige “uma cultura organizacional pró-dissenso” que impeça perseguição e interdição de professores, pesquisadores e alunos por suas opiniões.

Por fim, o pluralismo advoga a expansão dos currículos para que abarquem obras de referência de campos diversos em disputa, como liberalismo, conservadorismo e progressismo.

Pesquisa do Instituto Sivis de 2025 mostra que 48% dos universitários evitam emitir opinião sobre assuntos polêmicos, principalmente sobre política, enquanto outra realizada pela USP e pela UFBA no mesmo ano aponta que 61% dos professores já evitaram certos temas por medo de sanção moral, política ou jurídica.

Universidades precisam conter o autoritarismo que estimula tal autocensura. Só assim poderão cumprir sua missão institucional e garantir legitimidade.

editoriais@grupofolha.com.br

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