A delegação brasileira deixou o plenário da Assembleia Geral da ONU nesta quinta-feira, 24, pouco depois de Benjamin Netanyahu iniciar seu discurso. O primeiro-ministro de Israel foi recebido com uma mistura de vaias e aplausos, enquanto dezenas de delegações deixaram o salão. A presidência da sessão precisou pedir ordem repetidamente diante da movimentação.
Netanyahu reagiu diretamente à debandada. “Se houver outros covardes morais que ainda não deixaram este plenário, por favor, façam-no agora”, afirmou. Em seguida, disse que Israel estaria defendendo não apenas o próprio território, mas também países cujas delegações haviam deixado o recinto. Segundo ele, líderes de alguns desses governos agradeceram a Israel, em conversas privadas, pela destruição das instalações nucleares iranianas. Netanyahu não identificou quais seriam esses países.
Nos discursos que antecederam o do premiê israelense, apenas um diplomata brasileiro estava escalado para acompanhar a sessão plenária. Outros quatro integrantes da delegação se juntaram a ele a partir do pronunciamento de José Manuel Restrepo, vice-presidente da Colômbia, que antecedeu a fala de Netanyahu.
A delegação palestina também ampliou sua presença no plenário: havia duas pessoas durante o discurso colombiano e, antes do início da fala israelense, o grupo passou a seis.
Irã no centro do discurso
Logo no início da fala, Netanyahu voltou-se para o conflito com o Irã e defendeu a ofensiva israelense contra as instalações nucleares do país. Ele afirmou que impedir Teerã de desenvolver armas nucleares foi uma das decisões mais fáceis que tomou como primeiro-ministro.
“Destruir as instalações nucleares do Irã foi difícil, mas, para mim, foi uma das decisões mais fáceis que tive de tomar”, disse. Segundo Netanyahu, a ação evitou uma ameaça não apenas contra Israel, mas também contra outros países.
A guerra com o Irã é um dos principais temas desta edição da Assembleia Geral. Em discurso na terça-feira, 22, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também defendeu a decisão de iniciar a guerra contra Teerã e afirmou que os EUA poderiam destruir o país caso não houvesse um acordo.
Gaza e acusação de genocídio
A guerra em Gaza foi outro eixo central do pronunciamento. Netanyahu rejeitou as acusações de genocídio contra Israel e classificou a denúncia como “a maior mentira do século”.
O primeiro-ministro afirmou que o Hamas utiliza civis e estruturas como hospitais, escolas e mesquitas em suas operações militares. Também disse que as Forças Armadas israelenses adotaram medidas para retirar moradores das áreas de combate.
Entre os exemplos citados por Netanyahu estão o envio de mensagens e telefonemas para alertar civis, além da distribuição de alimentos e vacinas. As afirmações fazem parte da defesa apresentada pelo governo israelense para contestar as acusações relacionadas à condução da guerra.
Israel nega as acusações de genocídio e afirma que suas operações têm como alvo o Hamas. O conflito começou após o ataque do grupo contra Israel, em 7 de outubro de 2023, que deixou cerca de 1.200 mortos e resultou na captura de 251 pessoas, segundo dados israelenses.
Ataques de 7 de outubro
Netanyahu também voltou a mencionar os ataques de 7 de outubro, classificados por ele como o “dia mais sombrio” da história de Israel. Segundo o premiê, a ofensiva desencadeou um conflito em múltiplas frentes, envolvendo Hamas, Hezbollah, Houthis, Irã, milícias apoiadas por Teerã e grupos palestinos na Cisjordânia.
Ele afirmou que Israel conseguiu enfraquecer parte dessas organizações e destacou a cooperação militar com os Estados Unidos durante a ofensiva contra o Irã.
Elogios a Trump
Ao falar sobre os Estados Unidos, Netanyahu elogiou Donald Trump e destacou a atuação conjunta das forças americanas e israelenses contra o Irã. Segundo o primeiro-ministro, a operação teve como objetivo proteger os dois países e impedir uma ameaça mais ampla.
Netanyahu também criticou governos que condenam as ações de Israel e minimizou episódios de violência cometidos por colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia. Segundo ele, os ataques seriam praticados por um grupo restrito de jovens e receberiam atenção desproporcional da imprensa e de governos estrangeiros.
A presença de Netanyahu na Assembleia Geral ocorre em meio à crescente pressão internacional sobre Israel por sua atuação em Gaza. Na abertura da sessão, em 22 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o governo israelense e acusou Netanyahu de promover um genocídio contra os palestinos.

