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Olha o que Vorcaro fez com esse país, com uns charutos, festinhas e litros de uísque

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Há uma cena emblemática no filme Batman – O Cavaleiro das Trevas, em que o Coringa termina seu serviço de desvirtuamento moral do promotor Harvey Dent. Brutalmente ferido no rosto e lidando com o luto da mulher amada, Dent se permite consumir por outra personalidade, diferente daquela conhecida do homem público sobre o qual repousa a esperança de uma Gotham City mais ordeira.

“Olha o que eu fiz com esta cidade com uns galões de gasolina e algumas balas”, disse o palhaço do crime enquanto lhe entregava uma arma. O filme dirigido por Nolan é, nas suas muitas interpretações possíveis, também uma análise contundente sobre a corrupção do homem.

Daniel Vorcaro nunca foi nada que chegasse a parecer com o Coringa. No filme, o criminoso se intitulava um “agente do caos”. Ou, como diria Alfred, uma daquelas pessoas que “querem ver o mundo pegar fogo”. O banqueiro, ao contrário, nunca desejou o caos. Queria, isto sim, toda a estabilidade que o dinheiro pode comprar. Em vez de agir com balas e galões de gasolina, preferiu charutos e litros de uísque.

Vorcaro, diga-se, não precisou desvirtuar ninguém. Perscrutou a realidade política e institucional do país e fez a leitura de que tudo já estava devidamente desvirtuado. O Coringa teve muito mais trabalho