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O novo normal e uma nova agenda para o desenvolvimento do RN

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Redação Tribuna do Norte




00h00

Thiago Medeiros
Sociólogo

Durante muito tempo, o Rio Grande do Norte se acostumou a olhar para suas potencialidades como produtos que deveriam ser vendidos para fora. O petróleo, o sal, a fruticultura e, mais recentemente, a energia renovável ajudaram a construir essa lógica. Mas talvez o maior desafio do nosso tempo seja justamente romper com ela.

Estamos diante de um novo normal. E ele exige uma nova agenda de desenvolvimento para o Rio Grande do Norte.

O Estado construiu uma das maiores vantagens competitivas de sua história: a capacidade de produzir energia a partir do vento e do sol. O problema é que não basta produzir. Precisamos transformar essa vantagem energética em desenvolvimento econômico, empregos, arrecadação, inovação e indústria.

Em outras palavras: o RN precisa deixar de ser apenas produtor de energia e se transformar também em consumidor estratégico dessa energia.

Isso significa criar condições para que indústrias se instalem aqui porque encontram energia competitiva, infraestrutura, segurança jurídica, mão de obra e um ambiente regulatório previsível. Significa aproveitar nossa posição para atrair novos empreendimentos, desde indústrias eletrointensivas até projetos de hidrogênio verde, armazenamento de energia, tecnologia, data centers e outras atividades que fazem parte da economia de baixo carbono.

Não se trata de escolher uma única indústria. Trata-se de construir um ecossistema.

O mais importante é que algumas das condições para essa mudança já começam a ser construídas. O Estado discute um novo Código Ambiental, com a oportunidade de modernizar o licenciamento e ampliar a segurança jurídica; existem regras específicas avançando para o hidrogênio verde; e o debate sobre a regulamentação dos data centers mostra que existe uma disputa concreta pelos investimentos da nova economia.

É justamente aqui que entra a política.

A agenda de desenvolvimento do RN não pode depender da visão ou da disposição de um determinado governo. Ela precisa se transformar em uma política de Estado, construída por diferentes governos, Assembleia Legislativa, setor produtivo, universidades, municípios e sociedade civil.

Não precisamos criar inimigos para criar facilidades. Ao contrário. A missão é grande demais para ser transformada em disputa permanente. Precisamos de diálogo, planejamento e coordenação.

O próximo ciclo eleitoral deveria discutir exatamente isso: qual Rio Grande do Norte queremos construir nos próximos 20 anos?

Um Estado que continua exportando energia e importando produtos industrializados? Ou um Estado que utiliza sua vantagem energética para atrair investimentos, desenvolver cadeias produtivas, qualificar pessoas e gerar valor dentro de suas fronteiras?

Essa pode ser uma agenda comum para os candidatos. Não como programa de um partido, de uma empresa ou de um governo, mas como um guia mínimo de desenvolvimento.

O novo normal exige que o RN pense além da geração. Nossa verdadeira vantagem competitiva começa quando a energia deixa de ser apenas aquilo que produzimos e passa a ser aquilo que usamos para transformar a economia.

A missão é árdua. Mas talvez seja justamente essa a grande oportunidade da próxima geração: transformar a abundância de energia em abundância de desenvolvimento.

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