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Lula questiona debates eleitorais

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O presidente Lula disse, em entrevista, que não vale a pena participar de debate eleitoral para ficar ouvindo “bobagem”. O entrevistador concordou. Um interlocutor compreensivo faz toda a diferença. Lula sabe onde pisa.

A notícia principal não é a que parece. Claro que um candidato à reeleição presidencial indicar que não pretende debater com os concorrentes é uma notícia e tanto. Apesar de o entrevistador ter achado aquilo normal, numa democracia não é normal — mesmo já tendo acontecido algumas vezes. E a forma que Lula encontrou para dizer isso foi a menos convincente possível: a premissa usada foi a de que candidatos sem cargo são, ou podem ser, franco-atiradores.

Nessa linha, o presidente se disse preocupado com “o nível” dos debates, complementando que nem sabe ainda quem serão os candidatos. Ou seja: quem um postulante qualquer pensa que é para criticar livremente uma autoridade — sem ter nada a perder?

Aí está, mais uma vez, a figura soturna da “narrativa antiestatal” — um expediente retórico criado para estigmatizar a crítica ao poder “em nome da democracia”