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‘Quem nunca foi e voltou?’

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Um dia depois de anunciar que não disputaria o governo de Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) voltou atrás nesta terça-feira e fez um apelo público para que o partido lhe conceda a vaga de candidato. O pedido, feito durante a convenção nacional do Republicanos, em Brasília, foi rejeitado pelo presidente da legenda, Marcos Pereira, que atribuiu a negativa às sucessivas mudanças de posição do senador. O dirigente partidário afirmou que a decisão está tomada.

Diante de dirigentes e parlamentares, Cleitinho reconheceu os recuos das últimas semanas, mas pediu uma nova chance.

— O Espírito Santo está me pedindo para me falar isso. Eu venho passando um momento de luto há 15 dias. Ontem eu tive um momento de vulnerabilidade, de espiritualidade, não estava bem, e fiz esse vídeo. Quem nunca foi e voltou? Quem nunca teve equívoco? Quem nunca errou? Então eu peço aqui, humildemente, que o presidente possa me dar essa vaga, porque eu não vou decepcionar o povo mineiro — afirmou.

Após anunciar desistência, Cleitinho volta a pedir vaga para concorrer ao governo de Minas

Após anunciar desistência, Cleitinho volta a pedir vaga para concorrer ao governo de Minas

Pereira respondeu em seguida, ainda durante a convenção, fechando a porta para uma reviravolta. Depois de citar a cronologia com o vaievém de Cleitinho, afirmou que seria uma “irresponsabilidade” entregar a candidatura a alguém que, em sua avaliação, demonstrou instabilidade na tomada de decisões.

Sobre o chamado do Espírito Santo, o presidente do partido, que é bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, afirmou que a divindade ainda não havia falado com ele sobre o assunto.

— Eu seria irresponsável com Minas. Não posso colocar Minas na mão de uma pessoa que ora pensa uma coisa e cinco minutos depois pensa outra. Voltar atrás todo mundo tem direito, mas não pode ser inconstante nesse nível. Diante do exposto, a decisão está tomada — afirmou.

Após a convenção, Pereira reiterou a negativa. Disse compreender o momento de luto vivido por Cleitinho, mas afirmou que o partido não poderia submeter a disputa em Minas a uma nova incerteza.

— Diante da instabilidade, compreensível pelo momento que ele está passando, o partido tomou uma decisão. Não podemos submeter o povo de Minas a uma situação de insegurança. A decisão está tomada — disse.

Cleitinho diz que ainda tentará reverter veto

Mesmo diante da negativa pública, Cleitinho afirmou após a convenção que não considera encerrada sua tentativa de disputar o governo. O senador descartou recorrer à Justiça contra o Republicanos e disse que pretende insistir no diálogo com Pereira.

— Não vou chegar a esse ponto de entrar na Justiça, não. Vou tentar conversar com ele — afirmou.

Cleitinho também rebateu a avaliação de Pereira de que suas mudanças de posição colocariam em dúvida sua capacidade de governar Minas. Segundo o senador, a hesitação esteve relacionada exclusivamente à disposição emocional para enfrentar uma campanha após a morte do irmão, e não à possibilidade de administrar o estado.

— Minha questão agora é a vulnerabilidade espiritual e emocional que eu estou. Não tem nada a ver com capacidade. É só pegar meu mandato de vereador, de deputado, de senador — disse.

O senador afirmou que decidiu tentar novamente ser candidato depois de receber incentivos da própria família e de apoiadores. Segundo Cleitinho, sua mãe, que também perdeu o filho há pouco mais de duas semanas, foi uma das pessoas que o encorajaram a seguir em frente.

— Minha mãe falou: “Pode ir que a gente vai te ajudar”. E o povo, depois do vídeo de ontem, mandou ao contrário: “Vem que a gente vai te apoiar, vai te ajudar”. Então eu estou obedecendo agora à minha mãe e ao povo — afirmou.

De uma desistência a um novo pedido em menos de 24 horas

A nova tentativa de Cleitinho ocorreu menos de um dia depois de ele aparecer ao lado do próprio Marcos Pereira para anunciar que permaneceria no Senado. Na segunda-feira, aos prantos, o senador atribuiu a desistência ao momento pessoal que atravessa desde a morte do irmão mais novo, Matheus Azevedo, vítima de leucemia.

— Quero pedir perdão porque meu momento não está fácil para mim e para minha família. Não adianta eu entrar numa campanha agora do jeito que eu estou — disse.

Na ocasião, Pereira afirmou que o Republicanos havia voltado a oferecer ao senador condições para disputar o governo e que a desistência partira do próprio Cleitinho.

Nesta terça, ao negar uma nova mudança de rumo, o presidente da legenda fez uma longa reconstrução das negociações para sustentar que o senador já havia recebido sucessivas oportunidades de assumir a candidatura.

Segundo Pereira, Cleitinho pediu inicialmente que a definição fosse adiada até o fim da Copa do Mundo. Depois, ficou acertado que anunciaria sua intenção em 20 de julho. A morte do irmão, sepultado no dia 19, levou o partido a flexibilizar novamente o calendário.

A direção nacional afirma que ofereceu a possibilidade de Cleitinho confirmar a candidatura na convenção estadual, em 25 de julho, pessoalmente, por procuração ou por meio do irmão gêmeo. Depois, Pereira ainda propôs que o senador viajasse a São Paulo para assinar uma carta à Executiva e gravar um vídeo confirmando que concorreria.

Cleitinho não o fez naquele momento. Na semana passada, quando o Republicanos decidiu retirar sua candidatura, porém, reagiu: anunciou publicamente que disputaria o governo, apresentou Luís Eduardo Falcão como vice e disse que tentaria “tocar o coração” de Pereira para reverter o veto.

Após uma reunião de cerca de cinco horas em São José dos Campos e uma nova rodada de conversas nesta segunda-feira, o partido voltou a colocar a candidatura à disposição. Foi então que Cleitinho anunciou que não concorreria, decisão que tentou desfazer nesta terça.

A negativa de Pereira mantém aberta a negociação para uma candidatura alternativa ao governo e favorece o ex-secretário da Casa Civil Marcelo Aro (PP), que já vinha sendo discutido por PL, Republicanos e integrantes da federação União Progressista.

Aro passou a ser tratado como favorito depois da desistência anunciada por Cleitinho na segunda-feira. O ex-secretário já sinalizou que não criaria obstáculos para que Flávio Bolsonaro fizesse campanha em seu palanque, um ponto considerado importante pela direção nacional do PL.

Minas, segundo maior colégio eleitoral do país, é um dos estados prioritários para a campanha presidencial. Com o prazo das convenções terminando nesta quarta-feira, os partidos tentam agora fechar a composição da chapa enquanto Cleitinho insiste, mesmo após o veto público de Pereira, em uma última tentativa de recuperar a candidatura.

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