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Amor próprio – Tribuna do Norte

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Redação Tribuna do Norte




00h00

Confesso minha dívida com meu amor próprio. É recorrente e quase suicida. Preciso gostar mais de mim mesmo, do jeito que amo poucos e admiro quantidade suficiente para minha sobrevivência. Espero, de coração, que aquilo tão longe dos meus dias recentes, floresça em ABC e América na rodada de domingo na Série D do Campeonato Brasileiro.

Os dois rivais sobram em motivos para jogar bem, avançar de fase e chegar mais perto da terceira divisão. ABC e América apresentam a melhor média de público da Série D. O ABC com 6.307 torcedores por partida e o América com 6.121. Fosse a Série D disputada por pontos corridos, o América e o ABC estariam classificados se tudo acabasse agora.

É do jogo ABC 3×0 Águia(PA), o maior público de toda a competição: 18.945 pessoas. É um dado que atesta a paixão popular do povo de Natal. Basta haver razão para torcer, ele aparece no estádio. Quando a bola não bola, o natalense é um bovino de cartório, totalmente inerte e mortificado, parvo em suas emoções tolhidas.

Tanto o abecedista quanto o americano estão com crédito junto aos seus objetos de adoração. Eles gritam, berram, berram e gritam, até o gol da vitória capaz de explodir corações e almas bêbados. É preciso os times se gostarem mais para conseguir seus objetivos, depois de aportar no lugar mais indesejável do futebol nacional.

O ABC poderia estar com um pé na próxima etapa, tivesse sido mais ousado na partida de ida, sábado passado em Lucas do Rio Verde, nas redondezas pantaneiras do Mato Grosso. O adversário, a Luverdense, apresentou um desempenho frágil e fácil de ser superado. O ABC contentou-se com o empate em 0x0, perdendo gols sacramentados, como o que o atacante Igor Bahia desperdiçou quase nos acréscimos.

O ABC estava desfalcado, é verdade, mas o adversário lhe deu campo e inoperância para explorar. O ABC se deixou levar pelo ritmo modorrento de uma partida que parecia levar três dias e três noites, de tão sonolenta. Faltou ao ABC disposição para ser ativo e se livrar de um concorrente sem talento e exageradamente defensivo, mesmo em casa.

No jogo de domingo, quando terá seus principais jogadores e estará completo, o ABC precisa liquidar logo a situação. Porque cada jogo em Série D é uma final e tragédias fazem parte da costela do futebol. O ABC, se continuar sendo movido pelos uivos da Frasqueira, irá pressionar a Luverdense a ponto de asfixiá-la, evitando que a demora do gol anime os visitantes.

A Série D é uma arapuca. Chegar às oitavas de final foi tarefa aparentemente fácil para o alvinegro, que melhorou contra o Águia de Marabá na Arena das Dunas, apresentando seu melhor futebol em 2026. É preciso repetir a performance domingo, para que a Série C deixe de ser uma ilusão distante para se transformar em verdade efetiva e incontestável.

O mata-mata é uma forca e o ABC deverá ter cuidados para não ser surpreendido. Na fase anterior, a Luverdense construiu em casa o 1×0 contra o Guaporé de Rondônia e soube, em sua leniência, garantir o empate sem gols na casa do adversário. Em Natal, daqui a pouco mais de 48 horas, estará disposto a tudo para empatar e levar a decisão para os pênaltis.

O América enfrenta o Gama. O América tem a melhor campanha da Série D. O América depende demais do seu meia Alisson Tadei e construiu o 1×0 na partida de ida em decorrência de um frangaço do goleiro brasiliense. Um frangaço de granja, um frangaço de aniversário de gente humilde, de fartura e pouca preocupação com a etiqueta.

Em mensagem postada nas redes sociais, o Gama avisou, sorrateiro: “Nos vemos em casa”. O Gama deixou claro que sufocará o América no Estádio Bezerrão onde despachou nos tiros livres o Porto Velho(RO). O Gama quer o América nas cordas e o seu campo é um alçapão digno de rinhas. O América também terá de mostrar autoestima para não jogar fora tudo o que foi conquistado até as oitavas de final.

Os dois maiores rivais do Rio Grande do Norte não podem se despedir domingo. O amor próprio precisa ser retirado do fundo de cada espírito e levado ao gramado, para o delírio das massas de Natal.

Brasil ridículo

A seleção brasileira terminou a Copa do Mundo em 11º lugar. Pior colocação desde 1934, quando a festa do futebol era artesanal e o Brasil, que viajou de navio, voltou após perder da Espanha por 3×1. O resultado de 2026 é de escrete pequeno e medíocre.

O futebol ridículo apresentado na Copa do Mundo é reflexo da mentalidade tacanha dos dirigentes brasileiros. Eles não estão preocupados em voltar às raízes e se contentam com os milionários pernas de pau mantidos na Europa. O Brasil, a continuar nessa pisada, irá se superar outra vez de maneira negativa, parando nas Eliminatórias.

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