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O ministro israelense da Segurança Nacional, o ultradireitista Itamar Ben-Gvir, juntou-se a milhares de extremistas judeus que invadiram, nesta quinta-feira, 23, o complexo da mesquita de Al-Aqsa, o local sagrado mais sensível de Jerusalém. O santuário é conhecido pelos muçulmanos como Al-Haram al-Sharif e pelos judeus como Monte do Templo.
Escoltados por policiais armados, eles fizeram orações, agitaram a bandeira de Israel e cantaram o hino nacional em uma demonstração provocativa de poder que tomou partes do complexo próximas à mesquita e ao santuário do Domo da Rocha, que remonta ao século VII. Também juntou-se à multidão de 3.228 pessoas Amit Halevi, um deputado do Likud, partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, segundo o jornal israelense Haaretz.
יום תשעה באב מציינים את החורבן. אבל אנחנו רואים התקדמות ענקית גם בהר הבית. תראו מה קורה כאן – יהודים שמתפללים, מרגישים כאן בעלי הבית. זה לא היה כאן אף פעם. ככה בעוד ועוד מקומות. הורדנו ב-85% את הפיגועים. בכל המקומות מבינים שמדינת ישראל היא בעלת הבית. יש עוד מה לעשות, ואנחנו,… pic.twitter.com/P15jWbEpvQ
— איתמר בן גביר (@itamarbengvir) July 23, 2026
Sob um antigo acordo frágil, conhecido simplesmente como “status quo“, o local proíbe rezas por não muçulmanos. Ben-Gvir tem minado esse trato nos últimos anos por meio de uma série de visitas provocativas e de alterações unilaterais nas regras para visitantes judeus, incluindo a permissão para que realizem orações e levem material religioso impresso ao local. Nisso, foi apoiado por Netanyahu, que no início deste ano deu chancela à realização de rituais judaicos no complexo.
Em janeiro, o ministro da Segurança Nacional nomeou um aliado ideológico para chefiar a força policial de Jerusalém, facilitando o caminho para mudanças mais significativas. Em uma publicação nas redes sociais nesta quinta, Ben-Gvir escreveu que “há um progresso enorme aqui” e que os judeus que rezam no local “sentem-se como os donos”. Anteriormente, o ministro já havia declarado que desejava hastear a bandeira de Israel no complexo e construir uma sinagoga no local.
Status quo em xeque
Esta quinta-feira marcou o dia sagrado judaico de Tisha B’Av, que relembra a destruição — ocorrida no mesmo local — do Primeiro Templo (do século X a.C.) e do Segundo Templo (destruído pelos romanos no ano 70 d.C.). Durante a noite, antes da incursão a Al-Aqsa, milhares de judeus marcharam por áreas da Cidade Velha de Jerusalém próximas ao complexo; algumas atacaram palestinos e vandalizaram um cemitério muçulmano perto do Portão dos Leões, segundo o Haaretz. A polícia prendeu 16 suspeitos.
Alterações no acordo de status quo têm, historicamente, alimentado conflitos em Jerusalém e na Palestina, com repercussões em todo o mundo. Uma visita realizada no ano 2000 pelo então líder da oposição israelense, Ariel Sharon, desencadeou a segunda Intifada palestina, que durou cinco anos.
Além disso, o Hamas batizou de “Dilúvio de Al-Aqsa” o ataque a Israel em outubro de 2023, que matou 1.200 israelenses e deflagrou a guerra em Gaza, alegando ter sido provocado por violações israelenses na mesquita de Jerusalém.
Denúncias
As orações realizadas do lado de fora de Al-Aqsa e do Domo da Rocha constituem uma “provocação perigosa” por parte de extremistas que buscam incitar uma guerra religiosa, afirmou o grupo ativista israelense Peace Now em uma publicação no X (ex-Twitter), acrescentando que a incursão “violou diretamente o frágil status quo”.
“Essas práticas provocativas, provenientes dos mais altos escalões políticos do governo ocupante, buscam incendiar uma guerra religiosa em toda a região”, afirmou em nota o Ministério de Assuntos Religiosos e de Dotações da Palestina.
O Ministério das Relações Exteriores da Jordânia também condenou “veementemente” a invasão e instou a comunidade internacional a “adotar uma postura firme que obrigue Israel, na qualidade de potência ocupante, a cessar as violações contínuas contra os locais sagrados islâmicos e cristãos em Jerusalém”.

