O presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres, foi indiciado nesta quinta-feira (23) pela Polícia Civil por falsidade ideológica.
A investigação foi conduzida pelo delegado Tiago Fernando Correia, do DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania). O relatório será enviado agora para o MP-SP (Ministério Público de São Paulo), que poderá denunciar Ayres, arquivar o caso, oferecer um acordo ou pedir novas diligências.
Em nota, o presidente do conselho afirmou que recebeu “com tranquilidade” o indiciamento e que “não praticou falsidade ideológica nem obteve qualquer benefício pessoal ou político relacionado ao documento investigado”.
Procurado pela reportagem, o São Paulo não se manifestou.
Ayres passou a ser investigado pela Polícia Civil após um pedido da Comissão de Ética do São Paulo. Em um relatório do dia 29 de abril, o colegiado apontou que ele poderia ter cometido o crime de falsidade ideológica e determinou que o documento fosse encaminhado às autoridades.
A suspeita decorre de m parecer do Conselho Consultivo usado na proposta da reforma. O documento foi apresentado como oficial, mas a polícia concluiu que o órgão nunca se reuniu para discutir o tema. Para a polícia, a simulação serviu para legitimar a eventual reforma, o que configura falsidade ideológica.
Segundo a Polícia Civil, um documento de 17 de dezembro de 2025, assinado por José Eduardo Mesquita Pimenta e Ives Granda, integrantes do Conselho Consultivo do São Paulo, foi preparado por Olten Ayres e entregue aos dois apenas para a coleta das assinaturas.
O crime de falsidade ideológica prevê pena de reclusão de um a cinco anos e multa, quando envolve documento público, ou de um a três anos e multa, se o documento for particular.
Este inquérito é independente da força-tarefa formada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, que conduz outras três investigações sobre possíveis irregularidades no São Paulo, ocorridas na gestão de Julio Casares: lavagem de dinheiro, exploração clandestina de camarotes no Morumbis e corrupção no departamento social. Casares renunciou ao cargo.
Veja a nota de Olten Ayres
Olten Ayres de Abreu Júnior recebe com tranquilidade a informação, divulgada pela imprensa, sobre seu indiciamento e aguarda o acesso integral ao relatório da autoridade policial para que sua defesa possa analisar seus fundamentos.
O indiciamento constitui uma conclusão da fase policial e não representa denúncia do Ministério Público ou condenação. Olten reafirma que não praticou falsidade ideológica nem obteve qualquer benefício pessoal ou político relacionado ao documento investigado.
Durante todo o inquérito, prestou os esclarecimentos solicitados e colaborou com as autoridades. Sua defesa adotará as providências cabíveis após conhecer integralmente o relatório e permanece confiante no esclarecimento dos fatos nas instâncias competentes.

