A taxa de mortes violentas intencionais no país em 2025 foi a menor da série histórica iniciada em 2012, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado na quinta-feira (23).
Foram 19,1 mortes por 100 mil habitantes —pela primeira vez, o indicador ficou abaixo de 20. O total chegou a 40.775 vítimas, queda de 8,2% em relação ao ano anterior.
Apenas 7 das 27 unidades da Federação registraram aumento desse tipo de crime, com destaque para o Rio Grande do Norte (19,6%). Santa Catarina apresentou a menor taxa do país, de 7,6 mortes por 100 mil habitantes.
Os dados representam um avanço. Ainda assim, o número absoluto de vítimas permanece elevadíssimo, e outros indicadores seguem preocupantes.
A categoria de mortes violentas intencionais reúne homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, mortes violentas de policiais e mortes decorrentes de intervenções de agentes de segurança. Destas, apenas a última apresentou alta.
Foram 6.602 mortes provocadas por policiais em 2025, aumento de 5,9% em relação a 2024 e o maior patamar da série histórica. O dado reforça a necessidade de medidas para conter abusos no uso da força, como fortalecimento das corregedorias, treinamento adequado e adoção de câmeras corporais.
Só dez estados reduziram esse tipo de ocorrência. Amapá (17,1 mortes por 100 mil habitantes) e Bahia (10,6) registraram as maiores taxas, muito acima da média nacional, de 3,1. Em números absolutos, a Bahia foi o único estado a superar mil mortes (1.570).
A violência também continua distribuída de forma desigual. Os feminicídios —assassinatos de mulheres motivados por questões de gênero— atingiram novo recorde da série iniciada em 2016: foram 1.571 vítimas, alta de 4,5% em relação ao ano anterior.
A população negra segue como a principal vítima das mortes violentas. Representou 79,7% dos casos de homicídio doloso e 82% das mortes decorrentes de intervenção policial.
Em 2025, os registros de racismo cresceram 13%, enquanto os de injúria racial aumentaram 9,2%. O avanço pode refletir maior conscientização sobre a gravidade desses crimes e maior disposição para denunciá-los às autoridades.
Os dados retratam um país ainda marcado pela violência, apesar dos avanços observados. Políticas de segurança precisam levar em conta as diferentes dinâmicas criminais e concentrar esforços na proteção dos grupos mais vulneráveis, como negros e mulheres.
Uma política de segurança pública eficaz exige respaldo em evidências, fortalecimento da inteligência policial e mecanismos de controle da atividade policial. Leis de caráter meramente punitivista e grandes operações que resultam em abusos não bastam para enfrentar um problema tão complexo.

