O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (19) que o avião de luxo da Boeing doado pelo Qatar, no qual ele viajou recentemente, em breve estaria “equipado ao máximo”, sugerindo que ele pode receber recursos de defesa adicionais para se equiparar aos padrões das aeronaves mais antigas utilizadas para viagens presidenciais.
O republicano fez o comentário após retornar a Washington vindo de Nova Jersey a bordo do avião, um Boeing 747-800 que foi recebido como presente —e que Trump afirmou que planeja levar consigo quando deixar o cargo.
Um repórter que viajava com o pequeno grupo de jornalistas na comitiva presidencial apontou para a fuselagem do jato do Qatar e disse: “Sr. presidente, este avião não possui sistemas de defesa antimísseis. Por que o senhor está voando nele?”
Trump respondeu: “Bem, ele tem —tem muitos, e você sabe que tem grande capacidade, mas, pelo que entendi, em cerca de um mês, eles vão enviá-lo para que seja equipado ao máximo. Então, eles vão enviá-lo e vão equipá-lo ao máximo.” Segundo ele, “isso vai levar cerca de um mês”.
Não ficou claro a quais melhorias específicas Trump se referia nem se o prazo de um mês que ele mencionou até que o avião estivesse pronto é realista. Um porta-voz da Casa Branca não respondeu imediatamente a um email solicitando esclarecimentos adicionais sobre o que Trump queria dizer com “otimizado ao máximo” e sobre o prazo que ele mencionou.
No entanto, parece ser uma admissão do presidente de que as medidas de segurança do avião não são tão abrangentes quanto as dos modelos que foram projetados e construídos desde o início para servir como Air Force One.
O jornal The New York Times noticiou no início deste mês que o novo avião, no qual ele voou para a Turquia, não possui as mesmas contramedidas defensivas do modelo mais antigo, incluindo recursos antimísseis.
A reportagem desencadeou uma investigação sobre vazamento de informações que incluiu uma medida altamente incomum do FBI: apenas 24 horas após a publicação da matéria, o FBI entregou pessoalmente intimações aos repórteres do jornal para que prestassem depoimento perante um júri federal.
O jato doado pelo Qatar, uma aeronave com cerca de 14 anos, passou por um processo caro, porém relativamente apressado, para torná-lo seguro para servir como Air Force One, o indicativo militar para qualquer aeronave em que o presidente esteja voando.
Os modelos fabricados pela Boeing para uso pelo presidente dos EUA são projetados para funcionar como um “Salão Oval voador”, com defesas antimísseis e reforço na fiação elétrica da aeronave para protegê-la de um pulso eletromagnético no caso de um ataque nuclear. As aeronaves também podem reabastecer em voo e contam com uma sala médica capaz de atender o presidente.
Trump voou com a aeronave para a Turquia para a cúpula da Otan há quase duas semanas. Mas ele anunciou que iria embarcar em um dos jatos mais antigos —que ele criticou repetidamente por ser muito ultrapassado e rígido em seus acabamentos— ao partir da Turquia. O New York Times informou que o Serviço Secreto o havia aconselhado a embarcar no avião mais antigo.
O jornal informou então que a aeronave doada —que autoridades do governo descrevem como um avião “de transição” até que cheguem os dois jatos novos, há muito atrasados, que o governo encomendou à Boeing— carece de alguns dos sistemas mais sofisticados que os aviões mais antigos do Air Force One possuem.
A Casa Branca instruiu o diretor do FBI a supervisionar uma investigação sobre como o jornal obteve as informações. Isso resultou na intimação de vários repórteres envolvidos na cobertura, com agentes federais aparecendo em suas casas para entregá-las pessoalmente em vez de enviá-las aos advogados do jornal.

