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Trump impõe tarifa de 50% sobre produtos canadenses

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs tarifas de 50% sobre a maioria dos produtos do Canadá. A medida, anunciada nesta segunda-feira, 20, pode desencadear uma nova onda de caos econômico e uma guerra comercial mais ampla com o segundo maior parceiro comercial de Washington.

A decisão segue alegações de que o Canadá teria discriminado injustamente automóveis, bebidas alcoólicas e laticínios de produtores americanos.

Essas novas tarifas, que devem entrar em vigor em um mês, serão aplicadas a produtos tão diversos quanto vinho, tacos de hóquei e cimento. Produtos que entram nos Estados Unidos sob o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (USMCA) também serão afetados.

+ Trump abandona acordo de livre comércio com México e Canadá

A medida foi antecipada à agência Associated Press por uma autoridade que afirmou que Trump assinou três decretos para instituir as tarifas com base na Seção 338 da Lei de Comércio de 1930. No ano passado, vários legisladores democratas propuseram a revogação desse dispositivo, argumentando que Trump poderia utilizá-lo para desestabilizar a economia.

As tarifas de 50% não incluiriam produtos energéticos, potassa, pescados e minerais críticos, mas abrangeriam mercadorias que anteriormente estavam isentas de impostos de importação graças ao USMCA. O pacto comercial de 2020, que substituiu o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta) após uma renegociação conduzida pelo próprio Trump durante seu primeiro mandato, expirou recentemente, dando início a uma nova rodada de negociações que pode se estender até 2036.

Embora o USMCA permaneça em vigor, a decisão reduz a previsibilidade para empresas que estruturaram cadeias produtivas integradas na América do Norte e pode levar companhias a adiar investimentos enquanto aguardam definições sobre tarifas, regras de origem e acesso aos mercados.

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Juntas, as economias de Estados Unidos, México e Canadá respondem por quase um terço do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Em 2024, o comércio entre os três países superou US$ 1,6 trilhão, acima dos cerca de US$ 1 trilhão registrados em 2020, refletindo o aprofundamento da integração econômica após a entrada em vigor do USMCA.

Trump tem criticado o primeiro-ministro Mark Carney por buscar ampliar relações comerciais com outros parceiros e reduzir a dependência do mercado americano. No início deste ano, o presidente chegou a ameaçar impor tarifas de 100% sobre produtos canadenses caso Ottawa aprofundasse sua aproximação econômica com a China.

As polêmicas medidas de Donald Trump

Tarifas contra o Brasil

A medida sobre produtos canadenses segue o anúncio, na semana passada, de uma tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras a partir de 22 de julho, após conclusão de uma investigação que acusa o Brasil de adotar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses americanos.

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A tarifa foi justificada pela chamada Seção 301, alegando práticas como favorecimento ao Pix, acesso ao mercado de etanol e problemas relacionados à corrupção e desmatamento. O representante americano de comércio, Jamieson Greer, afirmou que as negociações entre Brasil e Estados Unidos ao longo do último ano não resolveram as divergências.

Na semana passada, em tom duro, o chanceler Mauro Vieira rebateu as declarações que qualificou como “inaceitáveis e ofensivas” do secretário de Estado americano, Marco Rubio, ao anunciar a decisão de aplicar tarifas. O chefe da diplomacia de Donald Trump afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que vise o bem-estar do povo brasileiro”.

“As declarações do Secretário de Estado Marco Rubio veiculadas na madrugada de hoje nas redes sociais a respeito das tarifas adotadas contra o Brasil são inaceitáveis e ofensivas ao povo e ao governo brasileiros”, afirmou Vieira a repórteres.

De acordo com o ministro das Relações Exteriores, o posicionamento de seu homólogo americano não passa da um ataque “grosseiro e arrogante” contra um “chefe de Estado de um país amigo”, garantindo que Lula “se empenhou pessoalmente pela abertura de canais de negociação em várias ocasiões”.

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Vieira acrescentou que as afirmações sobre o empenho brasileiro em negociar são falsas. Ele caracterizou as acusações envolvendo o Pix, que autoridades americanas dizem impor desvantagens injustas a empresas de meios de pagamento dos Estados Unidos, como operadoras de cartão, como “descabidas”; as alegações sobre desmatamento, por sua vez, são “absurdas”, segundo o chanceler.

“Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato do Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações para os produtos brasileiros. Em outras palavras, exigiam a capitulação”, disparou. “Todas as alegações dos norte-americanos para justificar a aplicação de tarifas não têm lastro na realidade.”

Ele reiterou que os Estados Unidos acumularam US$ 424 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos. Em 2025, 76% das importações originárias do país entraram em território brasileiro sem pagar imposto de importação, incluindo oito dos dez principais produtos que partem de lá para cá.

O governo Lula declarou que o dia 15 de julho “passará para a história das relações entre Brasil e Estados Unidos como um marco lastimável”, e abriu os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional e levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).

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