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Retaliação aos EUA pode ser usada, mas com cautela, diz especialista

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O governo brasileiro avalia os riscos de uma possível escalada de tensão com os Estados Unidos durante o processo de aplicação da Lei da Reciprocidade.

Em entrevista ao Hora H desta quinta-feira (16), o colunista da CNN José Pimenta afirmou que a retaliação pode ser utilizada como instrumento comercial, mas deve ser adotada com cautela e após análise cuidadosa.

Segundo Pimenta, que acompanha as negociações a partir de Washington, o cenário atual exige atenção redobrada do governo brasileiro sobre os próximos passos na relação bilateral com os Estados Unidos.

 

Possibilidades de negociação ainda existem

Pimenta destacou que, mesmo após a conclusão da investigação no âmbito da Seção 301, ainda há espaço para interlocução. “Você tem formas ainda de tentar uma interlocução, olhar para o seu produto e mostrar a essencialidade daquele produto”, afirmou.

O próprio instrumento legal, segundo ele, permite que empresas solicitem a inclusão de produtos e demonstrem sua relevância para o mercado norte-americano.

O especialista ressaltou que o setor privado pode e deve manter protagonismo nesse processo. “Estar em Washington, olhando para o seu produto, articulando e engajando com setores, tanto público quanto privado dos Estados Unidos, é fundamental para quem ainda vê o mercado norte-americano como essencial para o seu produto”, declarou.

Retaliação como remédio comercial

Sobre a possibilidade de retaliação, Pimenta classificou a medida como um “remédio comercial” cada vez mais comum no cenário internacional, em um contexto em que as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) perderam parte de sua estabilidade.

“Pode ser utilizado? Pode. Há de ser utilizado com parcimônia e com muita análise? Sim”, afirmou. Ele alertou ainda que o processo é longo e envolve consultas públicas e investigações internas antes de qualquer medida concreta.

O especialista advertiu que uma retaliação mal calibrada pode gerar consequências negativas para empresas brasileiras que dependem de insumos importados e para companhias norte-americanas com investimentos no Brasil.

“Isso pode trazer problemas para quem importa insumos e para empresas que aqui investem”, disse Pimenta.

Atuação do governo brasileiro é questionada

Questionado sobre a participação do governo brasileiro nas audiências públicas realizadas nos Estados Unidos, Pimenta reconheceu que o envio de observadores da embaixada foi insuficiente.

Segundo ele, pessoas do setor produtivo brasileiro consultadas indicaram que uma defesa técnica mais ativa do governo “não seria algo que subtrairia, mas poderia, sim, ajudar a somar”.

A segunda audiência pública, descrita por ele como altamente técnica, contou com participação enfática dos setores produtivos brasileiros, que receberam apoio de contrapartes norte-americanas, incluindo associações de consumo e grandes marcas.

Para Pimenta, o ponto central agora não é avaliar o que já passou, mas compreender como o governo brasileiro conduzirá as negociações bilaterais daqui para frente.

“Olhar não o que passou, mas daqui para frente como o governo vai adotar o tom na relação bilateral com os Estados Unidos”, concluiu.

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