Calores repentinos, ressecamento vaginal, sensação de mal-estar. Quando a menopausa dá as caras, mulheres costumam apresentar diversos sintomas desagradáveis, além de mudanças importantes no organismo, inclusive colocando a saúde cardíaca em atenção.
Esse foi o tema do “CNN Sinais Vitais – Dr. Kalil Entrevista” deste sábado (04), em que a cardiologista Salete Nacif e o ginecologista José Maria Soares Jr. conversaram com Roberto Kalil. Durante o papo, eles comentaram sobre as transformações dessa fase e os impactos delas na saúde da mulher.
Reposição hormonal pede cuidado
Um dos pontos abordados foi a reposição hormonal e quando ela é indicada. “Quando as mulheres estão no período fisiológico adequado (entre 45 e 55 anos), precisamos saber as indicações“, considera Soares, que as enumera: sintomas vasomotores, como os fogachos, que atrapalham a rotina; alterações nos órgãos genitais, como sua atrofia; e se há uma predisposição à perda de massa óssea.
Já algumas pacientes têm maior risco, como quem tem ou teve câncer de mama ou que tem. Para elas, há alternativas como os psicotrópicos. Recentemente, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou um novo medicamento, o agonista dos receptores de neurosinina três, que possui uma ação diferente, mas tem o mesmo efeito para as ondas de calor.
Nacif explicou como é preciso avaliar o risco cardiovascular da paciente antes de receitar esse tratamento. Mulheres que já tiveram infarto ou AVC, por exemplo, podem ter problemas. “Nessas situações, temos que individualizar a indicação da terapia de reposição hormonal, porque, muitas vezes, se você repuser, mesmo que ela tenha o hormônio baixo, você pode aumentar o risco”, explica. Pacientes com diabetes, colesterol alto ou pressão alta podem receber a reposição com orientação e observação.
Alterações no organismo feminino
O corpo da mulher muda muito quando deixa de menstruar. Soares enumera como o corpo feminino passa a acumular mais gordura visceral (aquela que fica na barriga e entre os órgãos), passa a ter resistência insulínica e até um aumento na pressão.
“Fora isso, temos a questão dos fogachos, que atrapalham o sono, causando mais insônia e uma piora do peso”, enumera o ginecologista. Tudo isso torna importante um cuidado holístico, verificando alimentação, atividade física, se há consumo de álcool e cigarro e até o estresse, já que esta é uma fase crítica e de muitas mudanças.
E falando em atividade física, ela é fundamental nesse período. Nacif reforçou como é preciso seguir a orientação da Organização Mundial da Saúde de fazer 150 minutos de exercícios moderados na semana – ou 75 minutos de atividades mais intensas.
Também é importante misturar atividades aeróbicas (como caminhadas ou bicicleta) com exercícios de resistência (pilates ou musculação). “Não adianta ficar tomando remédio, remédio, remédio e não fazer o tratamento não-farmacológico, que é justamente a atividade física que faz bem para tudo”, diz a cardiologista.
Os especialistas apontaram, ainda, qual o grupo de maior risco, esclareceram o papel do estrógeno na proteção cardiovascular, os impactos da menopausa precoce e induzida, além de orientarem sobre os exames mais importantes, os sintomas que não devem ser atribuídos apenas às alterações hormonais e os sinais de infarto na mulher, reforçando a importância do diagnóstico precoce e da adoção de hábitos saudáveis para reduzir o risco de doenças cardiovasculares.
O “CNN Sinais Vitais – Dr. Kalil Entrevista” será exibido neste sábado, 11 de julho, às 19h30, na CNN Brasil.

