InícioOpiniãoO mito militar na educação - 09/07/2026 - Opinião

O mito militar na educação – 09/07/2026 – Opinião

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O debate em torno da aplicação da disciplina da caserna na educação brasileira ganhou força quando Jair Bolsonaro (PL) criou, no seu primeiro ano de governo, o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares —revogado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2023.

Desde lá, o bom desempenho dos alunos de escolas vinculadas diretamente às Forças Armadas ou às Polícias Militares em avaliações de aprendizagem tem sido usado como argumento em defesa do modelo cívico-militar (escolas da rede estadual e municipal em que atuam militares, em geral da reserva).

Trata-se, contudo, de justificativa superficial. A disciplina rígida da formação militar não é o fator, ao menos não o principal, que explica resultados exitosos dessas instituições de ensino.

Segundo levantamento realizado pela Folha, das 30 escolas públicas com as maiores notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025, 12 são militares, 16 são escolas de aplicação (vinculadas a universidades federais ou estaduais), duas são técnicas e todas contam com processo seletivo dos alunos.

Peneirar os estudantes produz melhores indicadores de aprendizagem, mas não é só isso que eleva a qualidade do ensino.

Escolas militares e de aplicação têm financiamento diferenciado, o que impacta infraestrutura, qualificação de professores e quantidade de profissionais.

As verbas das primeiras vêm da Defesa e são executadas pela Força correspondente, ou de arranjos entre secretarias de Educação e de Segurança no caso dos colégios ligados às PMs; pode haver, ainda, contribuições das famílias.

Já os recursos das segundas fazem parte dos orçamentos das universidades públicas. Escolas de aplicação funcionam como laboratório pedagógico para formação de professores, estágio de licenciandos, pesquisa em educação e extensão universitária.

Mesmo assim, a abordagem cívico-militar se expande pelo país. O número de unidades de ensino sob esse modelo saltou de 265 em 2019 para 1.578 em 2026, segundo pesquisa da USP deste ano. Pior ainda, o que seria uma opção educacional tem restringido o acesso ao modelo regular.

Em Cuiabá, por exemplo, 71,8% das matrículas do ensino médio estão em escolas militarizadas; em 60 municípios, a cifra chega a 100% em ao menos uma etapa da educação básica.

Governantes precisam aprender a lição. A melhora do aprendizado se dará com alocação técnica e racional dos recursos, não com atuação disciplinar de militares nas escolas.

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