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Cardeal cotado para suceder papa Francisco é acusado de abuso sexual

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O cardeal espanhol Cristóbal López Romero, arcebispo de Rabat, no Marrocos, e apontado como um dos nomes cotados para suceder o papa Francisco após sua morte em abril do ano passado, anunciou nesta terça-feira, 7, que vai se afastar de suas funções após ser alvo de acusações de abuso sexual feitas por ao menos cinco mulheres.

A decisão foi comunicada depois que uma investigação da agência de notícias AFP revelou uma série de denúncias contra o religioso, de 74 anos. López Romero nega qualquer irregularidade e afirma que nunca praticou agressão, violência ou assédio sexual.

“Fui acusado de comportamento inadequado com mulheres adultas. Essa situação levou a Igreja a abrir uma investigação preliminar”, escreveu em resposta à agência. “Não cometi agressão, violência ou assédio sexual”, acrescentou.

Denúncias 

Uma das mulheres apresentou, em maio, uma denúncia formal escrita à representação diplomática do Vaticano no Marrocos. No documento, ela acusa o cardeal de promover “abraços particularmente insistentes e prolongados” e de tentar beijá-la à força durante um encontro.

Segundo uma fonte da Arquidiocese de Rabat ouvida pela AFP, pelo menos cinco relatos semelhantes chegaram ao conhecimento da Igreja. A pessoa, que pediu anonimato, denunciou a existência de uma “cultura de cumplicidade e silêncio” entre pessoas próximas ao cardeal e afirmou que comportamentos semelhantes já haviam sido relatados quando López Romero atuava como missionário na América do Sul.

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Em outro relato, um informante entregou quatro cartas encaminhadas a órgãos do Vaticano responsáveis por investigar esse tipo de denúncia. Os documentos mencionam supostos casos de abuso sexual envolvendo integrantes do clero, incluindo o próprio cardeal.

O vigário-geral da Arquidiocese de Rabat, Marc Helfer, disse que a investigação interna deveria ocorrer antes de qualquer conclusão sobre o caso. “Não sabemos se os atos relatados realmente configuram agressão sexual”, disse, acrescentando que a Igreja “não está acobertando ninguém”.

Caso as acusações sejam comprovadas, os fatos podem configurar crimes de assédio sexual agravado e agressão sexual agravada pela condição de autoridade religiosa do acusado, conforme prevê a legislação marroquina.

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Cotado para o papado

Nascido na Espanha, López Romero construiu parte de sua trajetória como missionário salesiano no Paraguai, na Bolívia e na Espanha, antes de assumir a Arquidiocese de Rabat. Conhecido pelo trabalho com populações vulneráveis, chegou a ser apontado por analistas do Vaticano como um possível sucessor de Francisco após a morte do pontífice.

Na época, porém, o próprio cardeal descartou qualquer interesse no cargo. Dias antes do conclave, afirmou que não tinha “absolutamente nenhuma ambição” de se tornar papa e chegou a brincar que, se fosse eleito, “fugiria para a Sicília”.

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