Ler Resumo
Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-presidente cubano Raúl Castro, afirmou que está aberto a negociar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo uma entrevista publicada pelo jornal americano USA Today nesta segunda-feira, 6. A declaração ocorre em meio a um cerco intensificado do governo americano contra a ilha, onde há apagões cada vez mais frequentes e serviços básicos começaram a colapsar devido a um embargo às importações cubanas de combustível.
“Posso negociar com qualquer pessoa designada pelos Estados Unidos”, disse Rodríguez Castro durante entrevistas ao USA Today realizadas ao longo de dois dias em junho, em Havana. “Se me derem a oportunidade, (claro que com) Trump.”
Ele afirmou ainda que Cuba estava disposta, sob as condições adequadas, a libertar “pessoas consideradas prisioneiras políticas” como parte de um potencial arranjo com Washington.
A família Castro não governa — o presidente é Miguel Díaz-Canel –, mas acredita-se que todas as decisões importantes do governo ainda passem pelo ex-presidente Raúl Castro.
Clã Castro
Hoje com 95 anos, Raúl Castro, que sucedeu seu irmão Fidel Castro no comando do país e liderou a ilha entre 2008 e 2018, é visto pela Casa branca como uma figura central na estrutura de poder cubana, mesmo após deixar o cargo de presidente.
Em maio, o Departamento de Justiça americano apresentou acusações criminais formais contra o ex-líder cubano, incluindo homicídio e outros crimes relacionados ao abate de dois aviões pela Força Aérea da ilha em 1996. Na época, Raúl era ministro da Defesa e comandava as forças militares que dispararam contra as aeronaves pertencentes a um grupo formado por exilados, matando quatro pilotos (o regime sustenta até hoje que eles haviam invadido o espaço aéreo de Cuba).
Intervenção
Na visão das autoridades locais, a acusação contra Raúl é mais um pretexto americano para uma possível invasão à ilha, alvo de sanções cada vez mais duras por parte da administração do presidente Trump.
Desde janeiro, Washington impôs um embargo às compras de petróleo pela nação caribenha, que intensificou a crise energética lá, além de ampliar sanções econômicas que vigoram há décadas contra Cuba. O ocupante do Salão Oval não esconde a tentativa de forçar o regime comunista a promover reformas políticas e econômicas, dizendo explicitamente que a ilha é “a próxima” depois dos ataques ao Irã e à Venezuela. Havana sustenta que qualquer tipo de intervenção, militar ou não, seria uma agressão à sua soberania.

