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Comício de Trump e calor marcam 250 anos dos EUA – 04/07/2026 – Mundo

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Em janeiro de 2025, o frio extremo atrapalhou a cerimônia de posse de Donald Trump. O evento teve de ser transferido às pressas para um espaço fechado, e o tradicional desfile foi cancelado.

Neste sábado (4), o mau tempo voltou a dificultar os planos do presidente. A celebração dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, que Trump trata como uma espécie de comício, coincidiu com um calor histórico de 38°C e sensação térmica acima de 40°C.

A alta temperatura cancelou uma série de eventos, incluindo a parada em Washington. Os que foram mantidos tiveram o horário ajustado às condições extremas. No fim do dia, milhares foram retirados às pressas das celebrações devido a uma ameaça de tempestade, que resultou em uma chuva fraca.

Cerca de uma hora e meia depois de o público ter sido removido do evento, a organização informou que o festejo vai continuar. Agora, a previsão é que a multidão retorne a partir de 21h45 (no Brasil, 22h45) e que o discurso de Trump aconteça às 23h (meia-noite no Brasil), mais de uma hora após o cronograma inicial, (21h45, no Brasil 22h45).

Ao ler a notícia em seu celular, um homem praguejou: “Você deve estar de brincadeira”.

Trump, em publicação nas redes sociais, disse que vai discursar “aconteça o que acontecer”. “É sábado à noite, vamos nos divertir, mesmo que fiquemos na rua até tarde.”

Enquanto esperava, parte do público continuou dançando do lado de fora do evento sob a chuva. Um DJ instalado em frente ao hotel Willard tocava hits como “We Found Love”, de Rihanna. Bandeiras americanas e adereços em homenagem ao aniversário do país completavam o cenário, enquanto o público gritava “USA, USA, USA”.

Mas, antes do susto pela chuva, o dia em Washington já havia começado mal. A princípio, as autoridades tinham pedido que as pessoas chegassem às 13h para se posicionarem à espera dos fogos de artifício. Com o calor, passaram a recomendar a chegada apenas às 17h (18h no Brasil).

A pirotecnia, prevista para o fim do discurso de Trump, deve ser o clímax do evento. O governo promete bater o recorde mundial ao lançar mais de 800 mil explosivos nos céus da capital.

As temperaturas e a evacuação não são os únicos desafios para quem quer assistir ao show. Para chegar à área dos fogos, é preciso passar por uma revista de segurança que a imprensa local comparava à dos aeroportos.

O governo classificou as festas da independência como um “evento nacional de segurança especial”, a mesma categoria usada para as cerimônias de posse e para a competição esportiva Super Bowl.

Isso significa que havia mais medidas de segurança do que o comum, incluindo o bloqueio de vias por veículos policiais, cercas e barreiras de concreto. O público tem de passar por detectores magnéticos.

As autoridades também proibiram a entrada de itens como geladeiras térmicas e cadeiras. São coisas que os americanos estão habituados a levar ao National Mall —um enorme gramado que vai do Capitólio ao Lincoln Memorial— durante as celebrações da independência.

Os americanos costumam celebrar o famoso 4 de Julho com churrascos e piqueniques, no que é tido como uma festa típica dos espaços públicos. Todas essas medidas, no entanto, transformaram o cenário na capital.

Gerou ainda mais críticas o fato de que os agentes federais proibiram a entrada de protetores solares em aerossol e só deixaram que cada pessoa trouxesse uma garrafa de água —para suprir a sede, havia tendas de distribuição gratuita de líquidos.

Os serviços de emergência estavam a postos para atender às vítimas de desidratação. O tempo todo, o som das sirenes cortava a festa durante a tarde.

As celebrações da independência vêm sendo planejadas há uma década. Ao voltar ao governo, porém, Trump criou uma comissão paralela e alterou a narrativa dos eventos.

Seus críticos o acusam de ter se apropriado da data para fins políticos e partidários. Ele próprio se referiu às comemorações como um “comício” em uma postagem na rede Truth Social.

A politização afastou governadores da oposição e esvaziou os pavilhões. Diversos estados governados por democratas decidiram não enviar representantes oficiais à Great American Fair (grande feira estadual americana). A exposição, montada ao longo da semana no Mall, atraiu um público menor do que o esperado, segundo a imprensa.

Com todo esse cenário em mente, diversos moradores de Washington foram às redes sociais reclamar —ou simplesmente dizer que não iriam comparecer à festa. Havia outros pontos ao redor da cidade para ver os fogos sem precisar entrar no espaço oficial, como bares com vista para o parque.

O espectro de um evento despovoado parecia preocupar Trump, cuja obsessão por recordes de público é conhecida. O presidente chegou a pedir aos seus seguidores que viessem e, assim, evitassem que a imprensa dissesse que estava vazio.

Entre os visitantes, o texano Ray Dethloff, de 63 anos, carregava um cartaz com a frase “No Kings” (sem reis, em inglês) ao lado da data de 4 de julho de 1776.

A mensagem fazia referência direta aos protestos “No Kings”, organizados por opositores de Donald Trump, mas com um significado diferente. Para ele, o único rei contra o qual os americanos se rebelaram foi o britânico. “Tivemos um rei até 4 de julho de 1776, quando declaramos a independência”, disse. “Trump não é um rei.”

Ex-fuzileiro naval, Dethloff afirmou ter viajado do Texas especialmente para as celebrações dos 250 anos da independência e lamentou que a data tenha se tornado alvo da polarização política. Na avaliação dele, democratas e republicanos deveriam celebrar igualmente o aniversário do país.

“Todo cidadão, independentemente de ser democrata ou republicano, deveria ter orgulho de viver aqui”, afirmou. Ao comentar a ausência de alguns estados na feira organizada no National Mall, atribuiu a decisão a uma postura “anti-Trump, anticapitalista e antiamericana”.

O casal John e Caroline Minnerly, ambos de 60 anos, também viajou a Washington para o aniversário dos Estados Unidos. Vieram, no seu caso, da Flórida. “Você pode amar ou odiar Trump, mas ele sabe dar uma festa”, disseram, diante da roda-gigante montada especialmente para a ocasião. “É a hora de estarmos juntos, sem fazer política.”

Dentro de uma das tendas do evento, uma mulher que se identificou apenas como Lawson, 60, se protegia do calor. Tinha comprado um chapéu com guarda-sol embutido, tudo enfeitado com a bandeira americana. Veio de Maryland, um estado vizinho, e chegou às 9h para esperar a abertura dos portões às 12h. Planejava ficar até depois dos fogos, à meia-noite. “Não é todo dia que se celebram 250 anos.”

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