Escavadeiras e guindastes pararam de operar em alguns locais de resgate na Venezuela porque a escassez de combustível prejudicou os esforços de recuperação após o terremoto da semana passada, deixando equipes incapazes de remover escombros em algumas das áreas mais atingidas do estado de La Guaira.
“Não há combustível. As máquinas estão paradas desde ontem [dia 1º de julho]”, afirmou Ariana Requena, que tenta encontrar a mãe e o irmão nos escombros do Roca Park, edifício residencial que desabou em La Guaira. Os corpos dos avós dela foram resgatados no início desta semana.
A escassez de diesel tornou-se um novo obstáculo às operações de resgate, uma semana após os terremotos, expondo a deterioração do sistema de abastecimento de combustíveis do país justamente quando as autoridades dependem cada vez mais de empresas privadas de construção e engenharia para fornecer máquinas pesadas e equipes técnicas às operações.
“Tivemos de fazer um escândalo ontem porque as máquinas pararam às 15h”, afirmou Requena. “É muito importante que consigamos avançar.”
A Petróleos de Venezuela, conhecida como PDVSA, determinou que a refinaria de Puerto La Cruz ampliasse a produção de diesel três dias após o terremoto para abastecer escavadeiras, guindastes e caminhões usados nas operações de resgate e na entrega de ajuda humanitária, segundo duas pessoas com conhecimento do assunto.
Muitas estradas em La Guaira estão danificadas ou bloqueadas em razão das operações de resgate, e o serviço de telefonia celular continua limitado, o que dificulta ainda mais a distribuição de combustível, afirmou uma pessoa a par da situação.
Um porta-voz da assessoria de imprensa da PDVSA não respondeu a um pedido de comentário sobre os planos de abastecimento de combustível após os terremotos.
Autoridades do Ministério de Energia visitaram na quinta-feira (2) o principal terminal de distribuição de combustíveis em Catia La Mar, em La Guaira, para enfrentar a escassez.
“Estamos em campo para garantir que a assistência chegue a todos os locais e que não falte combustível ou diesel para abastecer as máquinas necessárias às operações de resposta”, afirmou a ministra de Energia, Paula Henao, à televisão estatal. Segundo ela, a PDVSA descarregou uma remessa de 1,5 milhão de litros proveniente do polo de refino de Paraguaná.
O sistema de refino do país se deteriorou após anos de falta de investimentos, má gestão e repetidos acidentes em refinarias, provocando uma escassez crônica de combustíveis em todo o território. Motoristas frequentemente enfrentam longas filas ou pagam preços mais altos no mercado paralelo.
“O diesel não é apenas uma questão de combustível em uma resposta a desastres; é uma limitação operacional para todo o sistema de resgate”, afirmou Neil Osnato, fundador da empresa de análise de risco em infraestrutura Persistence Analytics Group.
“Se o diesel é escasso, geradores, ambulâncias, bombas de água, equipamentos de remoção de escombros, sistemas de comunicação de emergência, hospitais e muitos outros serviços passam a disputar o mesmo recurso limitado”, acrescentou.

