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Lima Barreto e sua crítica ao futebol brasileiro – 01/07/2026 – Tom Farias

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Domingo a seleção entra em campo para mais um jogo decisivo da Copa do Mundo. Há brasileiros comuns, como eu, que toda vez que o “scratch” canarinho entra para jogar, o coração quase enfarta de emoção.

O filósofo Renato Noguera, autor de “Por que Amamos?”, da editora HarperCollins, nos ensina que a emoção se define por seis eixos básicos: alegria, medo, surpresa, tristeza, nojo e raiva. Segundo ele, as emoções se estruturam em “reações físicas mais brutas, instintivas e imediatas —como o susto, o lampejo de raiva ou o pico de alegria.”

Ao ler isto, tomei para mim exatamente estes sintomas ao ver o jogo do Brasil contra o Japão na segunda-feira (29).

Acontece comigo algo quase instintivo: o medo de assistir ao jogo, temendo uma derrota diante do time opositor. Na minha rasa racionalidade, o futebol que tem no currículo cinco campeonatos mundiais, não pode —ou não deve poder— se dar ao luxo de perder uma partida para outro time tecnicamente abaixo de sua capacidade futebolística.

Ao assistir à partida do Brasil contra o Japão, nesta semana, percebi que nem sempre faz sentido a ideia de que o jogo se ganha jogando. A seleção joga bem, mas não pode levar gol, senão se desequilibra; não pode ser estritamente marcada pelo adversário, porque parte para a retranca; não pode ter na partida juiz de apito duvidoso, que pareça fazer vista grossa a algo claramente de óbvia injustiça —caso do gol anulado do atacante Vini Jr.

Diante da tecnologia de hoje, as decisões de juízes e “bandeirinhas” deveriam também sofrer o mesmo critério de análise de pênaltis e faltas. O árbitro-assistente de Vídeo, o VAR, e a junta técnica existem para isso, mas o termômetro precisa ser o mesmo para todos —ou seja, decidir da mesma forma se anula a decisão de um juiz. Isto não se aplicaria apenas ao Brasil, obviamente. Uma partida mal apitada, bem como mal jogada, decide o futuro não só de jogadores, técnicos, assistentes e torcedores —mas da nação inteira.

Se o objetivo do VAR é auxiliar para que uma partida de futebol, da importância como as da Copa do Mundo, não tenha erros grosseiros que joguem no ralo milhões em investimentos dos clubes, faz todo sentido que a equipe de árbitros também passe pelo mesmo crivo que jogadores.

Trocando alho por bugalhos. Talvez Lima Barreto, nosso clássico escritor modernista, não gostasse de futebol por razões parecidas. Ou fosse apenas o rabugento que era para as coisas das elites, como o futebol daqueles velhos tempos.

Em mais de uma crônica, andou falando poucas e boas do “football”, como era grafado, que denomina “jogo do pontapé”, que propaga a divisão social “e o governo subvenciona”. O escritor via no esporte um segregador de nossas classes, em que o negro e o operário não tinham vez.

Não tenho certeza se hoje o nosso grande analista suburbano ia ter a mesma opinião ou teria mudado de ideia. Até sua morte, em 1922, se portava como homem que, quando encucava com algo, levava tal birra para a vida toda —ou para o túmulo.


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