Em 1976, enquanto Sylvester Stallone corria pelas ruas da Filadélfia em Rocky, uma atriz brasileira hipnotizava o país inteiro com uma gargalhada, um olhar e uma presença que entrariam para a história. Quase 50 anos depois, Xica da Silva, de Cacá Diegues, retorna aos cinemas brasileiros em versão restaurada, reafirmando seu lugar como um dos filmes mais importantes já produzidos no país.
Lançado originalmente durante a ditadura militar, o longa estrelado por Zezé Motta levou mais de 3,1 milhões de espectadores aos cinemas e se tornou um fenômeno cultural. Misturando humor, erotismo, música e crítica social, a produção ajudou a redefinir a representação do protagonismo negro e feminino no audiovisual brasileiro, além de transformar Zezé em um dos maiores símbolos da dramaturgia nacional.
Inspirado na trajetória histórica de Chica da Silva, mulher negra escravizada que conquistou liberdade, poder e influência no Brasil colonial, o filme apresentou uma versão irreverente e provocadora da personagem, frequentemente interpretada como uma metáfora sobre as estruturas de poder do próprio Brasil dos anos 1970.
A nova cópia restaurada será exibida pela primeira vez durante o Festival de Cinema de Ouro Preto e chega ao circuito comercial em 16 de julho pela Sessão Vitrine Petrobras. O relançamento também ganha um significado especial por acontecer pouco mais de um ano após a morte de Cacá Diegues, um dos principais nomes do Cinema Novo e diretor de clássicos como Bye Bye Brasil, Tieta do Agreste e Deus é Brasileiro.
Quase cinco décadas depois, Xica da Silva permanece como um raro fenômeno do cinema nacional: um filme capaz de provocar debates, desafiar seu próprio tempo e continuar fascinando novas gerações.

