Redação Tribuna do Norte
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00h11


A classificação do ABC para o próximo mata-mata da Série D não esconde o desenho real. O time vem caindo de produção desde a vitória de 1×0 sobre o Maguary na última rodada da etapa de grupos. A passagem de fase, com uma vitória e um empate diante do Altos(PI) acentua a perda de qualidade da equipe.
O ABC escapou por pouco da tragédia da eliminação porque o goleiro Matheus Alves fez uma defesa surreal. Tudo bem que a derrota levaria a decisão para os pênaltis, entidade aparentada com o imponderável. O ABC pareceu disperso, desconexo e inoperante.
É clara a má atuação pelas laterais, caminho que o Altos encontrou para pressionar o ABC. Lucas Marques, pela direita, e Dudu Mandai, pela esquerda, estão subindo com desenvoltura, mas marcando com dificuldade. Vários cruzamentos sobrevoaram a grande área alvinegra arrancando suspiros de tensão da Frasqueira.
O ABC, após um início desastroso contra o Maguary com uma derrota por 3×0, se encontrou em campo e vinha se apresentando com sintonia entre os três setores. Hoje, há espaços abertos dos quais o adversário se aproveita para criar suas chances.
O ABC jogou mal em Teresina e achou o gol da vaga com Brunão chutando certo no último minuto. Na primeira partida, o Altos teve o domínio das ações durante a maior parte do tempo e não conseguiu fazer gol por incompetência crônica dos seus finalizadores.
No jogo de Natal, o ABC deu a impressão de que ditaria as regras marcando um gol logo de cara, com Wallyson, mas cedeu terreno e o Altos tomou conta do meio-campo. O volante Jhonatan não é um bom condutor de bola, qualidade que também acomete o outro cabeça de área, Geílson. O ABC melhorou um pouco com a entrada de Josepher que buscou cadenciar o ritmo e qualificar o passe.
Passando para o ataque, também é nítida a fase ruim do atacante Ígor Bahia, tanto fazendo o pivô, sua principal característica, quando voltando para buscar jogo. Ígor Bahia está devagar além do permitido e chegando atrasado quando é preciso estar pronto para colocar a bola para dentro.
Os meias João Pedro e Luiz Fernando têm habilidade, mas estão muito distantes dos homens de frente. É preciso se aproximar de Ígor Bahia e de Wallyson. Sempre o talismã do time, Wallyson precisa controlar os nervos, pois é o referencial dos seus companheiros e o mais experiente do grupo, aquele a quem a bola deve ser tocada quando a situação se complica.
O próximo adversário é o Águia(PA), contra quem o ABC se deu bem na conquista da Série C de 2010, mas seguramente é superior ao Altos e deve jogar tudo na partida de ida em Marabá.
O técnico Waguinho Dias precisa chamar os jogadores e a eles devolver a confiança aparentemente perdida. O ABC precisa estar consciente do sacrifício que é disputar uma divisão de nível precário, com campos mal preservados e a catimba como instrumento de decisão das partidas.
A diretoria do clube, ocupada em promoções e eventos, também deve chamar o time para retomar a seriedade de quem deve travar cada embate como se fosse o último de suas carreiras para garantir um segundo semestre movimentado e a sonhada volta à Série C. Ao ABC, seriedade em lugar de euforia deve ser mais que um mantra, mas a prática de cada um.
América
O América venceu o Fluminense por 1×0 quando sua torcida ocupou a Arena das Dunas preparada para uma nova goleada, após os 3×0 aplicados no Piauí. É notório que a qualidade do América está sobretudo no meia Alisson Tadei, habilidoso e criativo. Quando ele cai de produção, todo o time sucumbe.
A vantagem do América sobre o ABC é enfrentar o Trem do Amapá. O futebol do antigo território não é o forte do lugar mas o primeiro jogo indica sufoco, porque o Trem apostará todas as suas fichas em fazer um placar folgado. O América precisa jogar com velocidade e segurança na defesa. Uma boa retaguarda e competência nos contragolpes.
Imprevisível
Se falta técnica, se a habilidade e a criatividade ficaram no passado, que seja na raça. O Brasil está testando os corações e conseguiu garantir em mais uma semana sua permanência na Copa do Mundo. Apesar da solenidade de um técnico estrangeiro, não há tática e, se houvesse, de nada adiantaria poque inexiste alguém para executá-la.
O que importa: o Brasil exibiu pelo menos garra. Quase sucumbe no 1×0 do Japão e foi buscar o resultado, primeiro, no gol do antes maldito Casemiro, ao fim um dos personagens da reviravolta.
Depois, Martinelli recebe um passe de Gerson, Rivelino ou Zico, de Gabriel Magalhães e sela a vaga no minuto final fora os acréscimos. O Brasil será assim: imprevisível até enquanto estiver na Copa do Mundo. Os fanáticos bradam o Hexa, a coluna prefere ser mais cautelosa.
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