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‘Ninguém é dono da América do Sul’, diz Lula em recado a Trump

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a cúpula do Mercosul, nesta terça-feira, 30, em Assunção, no Paraguai, para reforçar a defesa da integração regional e enviar recados, mesmo que indiretos, ao mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump. Sem citar nominalmente o americano, Lula afirmou que “ninguém é dono da América do Sul”, criticou o avanço do protecionismo global, defendeu a soberania sobre minerais estratégicos e ofereceu o Pix como modelo de sistema de pagamentos para os países do bloco.

Ao discursar na reunião de chefes de Estado, o presidente brasileiro afirmou que o Mercosul precisa preservar sua autonomia diante das disputas geopolíticas entre as grandes potências.

“Ninguém é dono do mundo. E ninguém é dono da América do Sul. Nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes”, declarou o brasileiro. “Nossa força estará na capacidade de dialogar com todos, sem deixar de lado nossos interesses”, completou.

Pix
Lula aproveitou o discurso para transformar o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos em uma vitrine da integração regional. Segundo ele, a plataforma pode servir de base para criar uma infraestrutura financeira comum entre os países do Mercosul.

“O Pix, sistema brasileiro público e gratuito de pagamentos, é referência internacional de inclusão financeira e eficiência digital”, afirmou. Para o presidente, uma rede compartilhada reduziria custos de transações, fortaleceria o comércio intrabloco, estimularia o uso de moedas locais e diminuiria a vulnerabilidade da região a choques externos.

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Críticas ao protecionismo
Sem mencionar diretamente os Estados Unidos, Lula também atacou a adoção de barreiras comerciais, classificando o protecionismo como uma resposta equivocada aos desequilíbrios da economia mundial.

Segundo o presidente, guerras, conflitos e disputas comerciais elevam os preços de alimentos e energia e dificultam investimentos e o desenvolvimento sustentável. Diante desse cenário, afirmou, o fortalecimento do Mercosul tornou-se uma necessidade estratégica.

Minerais críticos
Outro ponto central do discurso foi a defesa de uma estratégia regional para explorar minerais considerados essenciais para a transição energética e para a indústria de tecnologia, tema que ganhou relevância diante do interesse crescente de potências como os Estados Unidos nesses recursos.

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Lula afirmou que a América do Sul possui reservas abundantes de minerais críticos, mas sustentou que os países da região precisam avançar além da simples exportação de matéria-prima.

Segundo ele, é necessário desenvolver cadeias produtivas de maior valor agregado, classificando essa estratégia como uma questão de soberania e segurança nacional. O presidente também elogiou a proposta apresentada pelo Paraguai para a elaboração de um plano conjunto sobre minerais críticos no Mercosul.

Combate ao crime organizado
Durante o pronunciamento, Lula também defendeu maior cooperação regional para enfrentar o crime organizado transnacional. A declaração ocorre poucos dias depois de os Estados Unidos classificarem as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

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O presidente afirmou que organizações criminosas controlam territórios, alimentam a corrupção, degradam o meio ambiente e ampliam sua atuação para o ambiente digital.

Como medida prática, anunciou que o Brasil financiará, durante um ano, a presença de delegados dos doze países sul-americanos no escritório da Interpol em Buenos Aires para fortalecer a cooperação no combate ao tráfico internacional de drogas.

Democracia
Na parte final do discurso, o presidente fez uma defesa das instituições democráticas e afirmou que a democracia voltou a sofrer ameaças em diferentes partes do mundo. Ao lembrar a tentativa de golpe de Estado no Brasil após as eleições de 2022, Lula disse que redes de desinformação continuam tentando enfraquecer a confiança nas instituições.

Ele também citou os processos eleitorais recentes na Colômbia e no Peru como demonstrações da resiliência institucional da região e defendeu o diálogo como caminho para superar a crise política enfrentada pela Bolívia. Por fim, afirmou que as eleições brasileiras de outubro representarão mais uma oportunidade para reafirmar a força da democracia no país.

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