Uma empresária foi presa em São Paulo e confessou produzir e vender vídeos em que esmaga pintinhos, coelhos e gatos com pés e mãos. Horas depois, foi solta. No Rio Grande do Norte, outra mulher também passou a ser investigada este mês por publicar cenas de violência contra patos e galinhas. Antes disso, no ano passado, um casal já havia sido detido no Pará por comercializar conteúdo de maus-tratos a animais por até 50 euros a estrangeiros. Todos esses casos reforçam como o zoossadismo — promoção de sofrimento, mutilação ou morte de animais por prazer e satisfação pessoal ou sexual — virou um mercado paralelo em plataformas como Discord e Telegram, sem que a lei que trata de maus-tratos consiga garantir punição, seja por ser branda ou por não abarcar a comercialização.
A Polícia Federal (PF) tenta descobrir se há uma estrutura organizada por trás desses episódios. A hipótese é analisada no inquérito sobre os crimes atribuídos ao casal do Pará, que busca identificar “um vínculo entre os grupos”, de acordo com o delegado Flávio Rolim, coordenador da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos de Ódio (CCOD) da corporação. Segundo Rolim, “grandes fluxos financeiros estão sendo apurados”.
A maior parte dos casos de grande repercussão foi denunciada pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, que tomou conhecimento da existência dos vídeos por meio de uma ONG da Bulgária. Na Europa, membros de uma rede que consome esse tipo de conteúdo ilegal já haviam sido identificados e se tornaram alvos de investigações.
— É um nicho de crueldade: é a produção de vídeos com cunho pornográfico, utilizando animais sendo torturados, esmagados. É uma coisa absurda. Depois, eles vendem esses vídeos por 30, 40 euros — explica a diretora jurídica do fórum, Ana Paula de Vasconcelos, que destaca que uma parte dos conteúdos é feita sob encomenda. — Se eu quiser encomendar (uma cena erótica) com urubu, vão atrás do urubu. Até com lesma e caramujo, eles aceitam encomenda.

