A taxa de aprovação nas escolas estaduais explodiu em 2025 onde os secretários de Educação criaram regras para os alunos passarem de ano mesmo que sejam reprovados em até seis disciplinas. Isso se deu, por exemplo, nos estados do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Com isso, a tendência é de que esses locais tenham aumentos consideráveis nas notas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), resultado que deve ser revelado poucos meses antes das eleições deste ano.
Essa estratégia pedagógica é chamada de “progressão parcial”, mas ficou conhecida no passado como “dependência”, na qual os estudantes podem ser reprovados em algumas disciplinas e, mesmo assim, passar de ano. Nesse sistema, os alunos passam de ano, mas, paralelamente, precisam estudar as matérias do ano anterior em que foram aprovados, acumulando aulas. Os dados de aprovação, divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério da Educação, mostram que a taxa do país passou de 91,7%, em 2024, para 94,8%, em 2025, e que os dois casos em que o aumento da aprovação foi maior foram os das redes estaduais do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Norte, justamente estados que ocupam as duas últimas posições no Ideb.
O Rio de Janeiro, ainda sob administração do ex-governador Cláudio Castro (PL), aumentou a taxa de aprovação em 11 pontos percentuais no ensino médio — passando de 80,8% dos alunos aprovados em 2024 para 91,8% em 2025 — no ano em que liberou os alunos a serem reprovados até seis disciplinas e mesmo assim conseguirem passar de ano. Só com essa mudança, o Rio conseguirá mais 0,4 pontos no Ideb sem aumentar nenhum ponto de aprendizagem. Com isso, passaria de 3,3 para 3,7 — deixando a penúltima colocação entre os estados, mas, ainda assim, mantendo-se como um dos dez piores do país.

