Segundo levantamento do Ministério da Saúde divulgado em janeiro, a taxa de obesidade entre adultos no país atingiu 25,7% em 2024, o que representa alta de 118% desde o início da série histórica, em 2006.
Entre crianças e adolescentes (de 5 a 19 anos), relatório da Federação Mundial de Obesidade aponta 38% de prevalência de obesidade e sobrepeso no país —acima da média global de 20,7%— e projeta que se chegará a 50% em 2040.
Considerando que a obesidade é tanto uma enfermidade quanto fator de risco para doenças crônicas não transmissíveis, que impactam um SUS já pressionado por restrições orçamentárias e pelo envelhecimento populacional, o poder público precisa conter o problema tanto para salvar vidas quanto para limitar custos.
Um estudo do Instituto Cordial financiado pela Nordisk, empresa que produz canetas emagrecedoras, estima que o custo anual da doença para os cofres públicos brasileiros seria de R$ 41,7 bilhões a R$ 44,6 bilhões.
Os gastos em saúde somam R$ 29,6 bilhões anuais, sendo R$ 1,9 bilhão no tratamento direto da obesidade, com internações e medicamentos, e o restante com doenças relacionadas, como hipertensão e diabetes.
Dado que a enfermidade e problemas de saúde a ela associados impactam empregabilidade, produtividade e salários, a arrecadação de impostos também fica prejudicada. A perda projetada no setor é de R$ 9,9 bilhões por ano, enquanto os gastos com invalidez somam R$ 6 bilhões.
O combate à obesidade é multifatorial. Portanto, é necessário que governos nas três esferas aloquem os recursos disponíveis em várias frentes. No sistema de ensino, merenda saudável nas escolas aliada à educação alimentar desde a primeira infância produz resultados duradouros.
O desenho urbanístico deve priorizar áreas verdes e espaços para atividades físicas principalmente em comunidades mais pobres, que também precisam ter acesso facilitado a produtos in natura, como frutas e verduras —nesse estrato, o consumo de ultraprocessados, em geral mais baratos, tende a ser alto.
No SUS, monitoramento, prevenção e orientação na atenção básica devem ser a tônica, com melhoria de diagnósticos e na prescrição de medicamentos.
O estudo do Instituto Cordial estima que cada 1% de queda nos índices de obesidade gera uma economia de R$ 444,6 milhões por ano. Assim, políticas públicas integradas no controle da doença são estratégicas para a saúde e para o Orçamento.

