Redação Tribuna do Norte
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01h17
Um jovem conclui a graduação, faz especializações, aprende idiomas e domina ferramentas digitais. Ao ingressar no mercado de trabalho, porém, muitas vezes encontra salários inferiores às expectativas criadas durante anos de estudo.
A situação parece contraditória. Embora a economia continue crescendo, o consumo das famílias avance e o desemprego permaneça relativamente baixo, muitos jovens qualificados sentem dificuldade para converter educação em renda. Então por que tantos jovens encontram dificuldade para avançar profissionalmente? A resposta passa por um conceito pouco discutido: produtividade.
Imagine dois agricultores com o mesmo conhecimento. Um trabalha com enxada; o outro utiliza trator e tecnologia. Ambos se esforçam, mas um produz muito mais. A diferença está nas ferramentas disponíveis.
O mesmo ocorre na economia. A educação aumenta o potencial do trabalhador, mas são os investimentos que transformam esse potencial em produtividade.
Mas surge uma pergunta inevitável: se os brasileiros estudam mais, por que a produtividade continua baixa?
Porque educação, embora fundamental, não é suficiente. O trabalhador produz mais quando está inserido em um ambiente que investe em tecnologia, inovação e modernização produtiva.
Durante décadas, o Brasil avançou na escolarização, mas investiu relativamente pouco na ampliação de sua capacidade produtiva. Sem aumento consistente da produtividade, a educação deixa de funcionar como principal mecanismo de ascensão econômica para parte dos jovens. O diploma continua abrindo portas, mas já não garante, por si só, o avanço profissional e salarial esperado.
Os números ilustram o problema. A produtividade do trabalhador brasileiro permanece próxima de 25% da americana e inferior à de países latino-americanos como o Chile.
Parte dessa dificuldade está relacionada ao histórico de juros elevados. Após o Plano Real, a taxa básica de juros apresentou média próxima de 13,86% ao ano. Em um ambiente assim, muitos investimentos produtivos tornam-se menos atrativos, reduzindo a modernização das empresas.
Sem ganhos de produtividade, os salários encontram limites. Empresas conseguem pagar mais quando produzem mais valor. Caso contrário, aumentos salariais acabam pressionando custos e preços, alimentando a inflação.
Isso ajuda a explicar por que muitos jovens estudam mais do que seus pais estudaram, mas não percebem o mesmo avanço econômico esperado. O Brasil conseguiu democratizar o acesso ao diploma, mas ainda não conseguiu democratizar a produtividade.
O desafio do país não é apenas educar mais. É criar um ambiente capaz de transformar conhecimento em investimento, investimento em produtividade e produtividade em melhores salários. Sem essa conexão, continuaremos formando profissionais cada vez mais qualificados para disputar oportunidades que não remuneram de acordo com sua qualificação.


