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Keiko Fujimori abre vantagem irreversível e está matematicamente eleita presidente

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A candidata conservadora Keiko Fujimori está matematicamente eleita presidente do Peru após abrir uma vantagem considerada irreversível sobre o esquerdista Roberto Sánchez na disputa presidencial, nesta quarta-feira (24).

Eleição presidencial no Peru segue indefinida e disputa entre direita e esquerda continua voto a voto (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Com mais de 99,8% das urnas apuradas, Keiko soma 50,11% dos votos válidos, contra 49,89% de Sánchez. A diferença supera 43 mil votos, enquanto restam pouco mais de 40 mil votos a serem contabilizados, tornando impossível uma virada no resultado.

Embora os órgãos eleitorais peruanos ainda não tenham proclamado oficialmente a vencedora, analistas e veículos internacionais já consideram a disputa definida devido à margem alcançada pela candidata.

Quarta tentativa de chegar à Presidência

Esta é a quarta vez que Keiko Fujimori disputa a Presidência do Peru. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, ela havia sido derrotada nas eleições de 2011, 2016 e 2021.

Agora, aos 51 anos, a líder do partido Força Popular conquista sua primeira vitória presidencial em meio a um cenário de forte polarização política no país.

Durante a campanha, pesquisas de boca de urna chegaram a apontá-la como favorita, mas o avanço da apuração em áreas rurais reduziu a vantagem e tornou a disputa ainda mais equilibrada.

Apuração demorou mais de duas semanas

Apesar de a votação ter ocorrido em 7 de junho, o resultado demorou semanas para ser consolidado devido à disputa voto a voto entre os candidatos.

A contagem prolongada ocorreu por causa da pequena diferença entre os concorrentes e também pelas características do sistema eleitoral peruano, que utiliza cédulas impressas e depende do transporte físico dos votos até os centros de apuração.

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Geografia do Peru dificulta transporte das urnas

Outro fator que contribuiu para a demora foi a geografia do país.

Em regiões da Amazônia peruana, as urnas precisam ser transportadas por embarcações. Já em áreas montanhosas e comunidades isoladas da Cordilheira dos Andes, o deslocamento ocorre por longas distâncias e, em alguns casos, até com auxílio de animais de carga.

Essas dificuldades logísticas tornam a apuração peruana mais lenta em comparação a outros países da América Latina.

Adversário questiona resultado

Roberto Sánchez afirmou que não reconhece o resultado da eleição e levantou suspeitas de irregularidades no processo eleitoral. No entanto, observadores internacionais e autoridades eleitorais do Peru afirmaram não ter encontrado evidências de fraude.

“Não reconheceremos esse governo e nos declararemos em luta política e social de resistência popular e patriótica, em apego ao marco legal e constitucional assim como à normatividade supranacional do sistema interamericano”, afirmou pelas redes sociais na terça-feira (23).

A expectativa é que os órgãos eleitorais concluam os últimos procedimentos administrativos antes da proclamação oficial da nova presidente do Peru.

Instabilidade política marca o Peru

A eleição ocorre em meio a um longo período de instabilidade política no Peru.

Nos últimos dez anos, o país teve nove presidentes diferentes, apesar de os mandatos presidenciais terem duração prevista de cinco anos.

Em um cenário de estabilidade institucional, o Peru teria tido apenas dois presidentes nesse período. No entanto, crises políticas, processos de impeachment, renúncias e disputas entre Executivo e Congresso provocaram sucessivas mudanças no comando do país.

O resultado desta eleição é visto como um momento decisivo para definir os rumos políticos e econômicos do Peru nos próximos anos.

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