Redação Tribuna do Norte
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Rosângela Moreno
Estrategista de Negócios, Executiva de Inovação
Otermo “nexialista” surgiu na ficção científica, proposto por A. E. van Vogt em 1939. O que nasceu como um conceito literário, no entanto, ultrapassou as páginas dos romances e ganhou densidade no mundo real. Hoje, a expressão é utilizada para definir profissionais com pensamento verdadeiramente interdisciplinar capazes de articular diferentes áreas do conhecimento, tornando-se cada vez mais relevantes em campos como gestão, inovação e, mais recentemente, no contexto estratégico da inteligência artificial.
Em um mundo em que a inteligência artificial deixa de ser promessa e passa a estruturar decisões, mercados e comportamentos, os nexialistas deixam de ser uma curiosidade intelectual para ocupar o centro do palco, pessoas que carregam sentido de urgência em suas ações um o profissional capaz de transitar entre áreas do conhecimento, conectando saberes diversos para resolver problemas complexos.
A ascensão da IA reconfigura não apenas processos, mas a própria lógica de valor. Se algoritmos já são capazes de executar tarefas com precisão e velocidade superiores às humanas, o diferencial competitivo passa a residir naquilo que não pode ser facilmente automatizado: o julgamento contextual, a sensibilidade cultural e a capacidade de atribuir significado. É nesse território que o nexialista opera como um tradutor entre sistemas técnicos e experiências humanas.
O paradoxo contemporâneo está posto: nunca tivemos tantos recursos para conhecer o cliente e, ao mesmo tempo, nunca estivemos tão distantes dele. Empresas que terceirizam integralmente suas relações para máquinas correm o risco de se tornarem invisíveis, e o pior, indiferentes. A dificuldade em acessar um gestor, a ausência de rostos, a padronização das respostas são sintomas de uma crise que não é tecnológica, mas relacional.
A resposta, portanto, não está em desacelerar a inovação, mas em qualificá-la. Nexialistas são, por natureza, mediadores desse processo. Eles compreendem que eficiência e empatia não são forças opostas, mas complementares. Sabem que dados sem contexto são ruído, e que experiências memoráveis nascem da interseção entre inteligência e sensibilidade.
Se a inteligência artificial é o motor da nova economia, os nexialistas são seus navegadores. E talvez seja justamente essa combinação entre precisão algorítmica e sensibilidade humana que definirá se avançaremos para um mundo mais eficiente ou, de fato, mais humano.
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