A autoridade eleitoral da Colômbia confirmou nesta terça-feira, 23, a vitória do candidato de direita Abelardo de la Espriella sobre o esquerdista Iván Cepeda, após o escrutínio oficial praticamente repetir o resultado divulgado na noite da eleição. Segundo a Registradoria Nacional, a diferença entre as contagens foi de apenas 0,003%.
Na apuração preliminar, o advogado e empresário conhecido como “El Tigre” havia obtido 49,6% dos votos, com uma vantagem inferior a um ponto percentual sobre o adversário, o que representava cerca de 250 mil votos de diferença entre os dois candidatos.
Os números reforçam a confiabilidade da contagem inicial e enfraquecem os questionamentos da campanha de Cepeda, que pediu a impugnação de milhares de mesas eleitorais diante de uma das disputas presidenciais mais acirradas da história recente da Colômbia.
O escrutínio é a etapa em que as autoridades eleitorais revisam a contagem preliminar, analisam recursos apresentados pelos partidos e verificam eventuais inconsistências registradas durante a votação. O processo ocorre com a participação de representantes das campanhas e de órgãos de fiscalização.
Contestação da esquerda
Antes da conclusão da verificação oficial, Iván Cepeda afirmou que aguardaria o escrutínio para reconhecer o resultado e anunciou que sua campanha pediria a impugnação de 33 mil mesas eleitorais.
Segundo o candidato, advogados e fiscais ligados ao seu partido identificaram possíveis erros em seções de votação espalhadas pelo país. Na Colômbia, cada mesa eleitoral pode reunir até 300 votos.
A legislação colombiana permite que partidos contestem votos quando identificam suspeitas de irregularidades ou falhas técnicas durante a votação ou a apuração. Os pedidos são analisados pela Justiça eleitoral, que pode determinar a recontagem das urnas envolvidas.
Guinada à direita
A vitória de De la Espriella representa uma mudança de rumo na política colombiana após o governo de Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da história do país.
Advogado e empresário sem experiência em cargos eletivos, o direitista construiu sua campanha com um discurso de combate ao crime organizado e críticas às políticas de segurança da atual administração. Admirador declarado do presidente salvadorenho Nayib Bukele, prometeu ampliar a atuação das Forças Armadas contra grupos armados e narcotraficantes, além de construir megapresídios.
Ainda na fase da pré-contagem, De la Espriella celebrou a vitória vestido com a camisa da seleção colombiana e defendeu acordos militares com os Estados Unidos para combater o crime organizado. “Hoje, a Colômbia venceu o seu jogo mais importante”, afirmou.

