InícioMundoColômbia: Cepeda não declara derrota em eleição - 21/06/2026 - Mundo

Colômbia: Cepeda não declara derrota em eleição – 21/06/2026 – Mundo

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Ivan Cepeda, candidato de esquerda do partido Pacto Histórico, não reconheceu, propriamente, a derrota na eleição à presidência da Colômbia neste domingo (21). Mas afirmou que, caso se confirme o indicativo da contagem preliminar, que aponta vitória do ultradireitista Abelardo de la Espriella, o resultado será validado.

“Somos democratas, longe de nós o autoritarismo e a arbitrariedade”, disse Cepeda, referindo-se aos membros do Pacto Histórico e da coalização Aliança pela Vida.

“Vamos ao escrutínio [a conferência dos votos para a divulgação do resultado final]”, disse mais adiante. Na Colômbia, após a contagem preliminar, os resultados finais são divulgados dentro de alguns dias —o que deve ocorrer ainda nesta semana.

Ele afirmou ainda, sem dar mais detalhes, que os seus advogados pedirão a impugnação de 33 mil mesas de votação no país. “Uma vez que a apuração seja realizada e seu resultado final seja divulgado, e as verificações correspondentes tenham sido feitas, reconheceremos o resultado oficial.”

Mesmo sem reconhecer os resultados, Cepeda tem um discurso muitos tons abaixo do de seu padrinho, o presidente Gustavo Petro. À medida que a contagem avançava e o favoritismo de Espriella se confirmava, o político foi ao X afirmar que não reconheceria a apuração preliminar.

“As seções eleitorais sem assinaturas de jurados devem ser contestadas imediatamente”, afirmou em uma publicação. A mensagem acompanha o vídeo de um internauta que denuncia uma suposta fraude em uma seção eleitoral. “Há inúmeras irregularidades.”

Em seguida, convocou os “advogados democratas”, que tem o direito de acompanhar o escrutínio, a acompanhar a contagem dos votos “em toda a Colômbia”. Em Bogotá, dezenas se reuniram em frente a Corferias, um dos maiores centros de votação da cidade, e entraram em massa no local com a autorização de policiais.

Na esquina do centro de convenções, outros apoiadores de Cepeda se reuniram com música e dança para protestar, a apenas algumas quadras de uma manifestação pró-Espriella. Ao longo do dia, o temor de que os protestos pudessem ficar violentos levou comerciantes a colocar tapumes em suas lojas.

Cepeda começou seu discurso agradecendo aos 12,7 milhões de votos recebidos. Enquanto falava, no palco de um teatro no agitado bairro de Chapinero, em Bogotá, o público o chamava de presidente.

O ambiente do teatro festivo e alegre foi constante durante a noite, mostrando a esperança de seus apoiadores em uma virada na consolidação dos votos.

Cepeda disse que é inquestionável o movimento que o levou a mais de 48% dos votos no segundo turno da eleição, enquanto o adversário teve 49,66%. Por isso, o candidato de esquerda afirmou estar fazendo um convite ao diálogo, “a um acordo nacional para resolver os grandes problemas”.

O candidato do Pacto Histórico também criticou o que chamou de intervencionismo estrangeiro na Colômbia.

De la Espriella recebeu apoio de Donald Trump, presidente dos EUA —com o qual Petro, o primeiro presidente colombiano de esquerda, teve atritos recentes, com direito a ameaças ao governo.

O ultradireitista disse ter recebido uma ligação de Trump na noite deste domingo parabenizando-o. No Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, disse que “as agendas de direita continuam triunfando em toda a América”.

Cepeda discursou ainda que não aceitará o que chamou de destruição do ensino público e da natureza, entre outros pontos. Na área ambiental, por exemplo, marcante na Colômbia, Espriella fala em simplificação de autorizações ambientais e fracking —técnica para obtenção de combustíveis fósseis criticada por seu impacto socioambiental.

O candidato de esquerda também afirmou que “com a gente se dialoga, não se impõe”.

Cepeda fez agradecimentos ainda a Petro, comunidades rurais, negras e periféricas e aos povos originários.

Ao fim, citou uma frase do último discurso de Salvador Allende, presidente do Chile de 1970 a 1973, quando sofreu o golpe militar que colocou Augusto Pinochet no poder. “A história é nossa, e os povos a fazem”, lembrou Cepeda.

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