A eleição presidencial da Colômbia, vencida por Abelardo de la Espriella, teve o resultado mais apertado em termos percentuais desde que o segundo turno foi instituído, na década de 1990.
De acordo com a apuração preliminar, Espriella venceu o senador Iván Cepeda por 49,65% a 48,7%, ou 248 mil votos.
Desde que o segundo turno foi instituído na Constituição de 1991, sete disputas foram definidas nesta etapa.
A primeira, de 1994, até hoje ainda é a mais acirrada no número absoluto de votos. Naquele ano, Ernesto Samper venceu Andrés Pastrana por 156.585 votos (50,26% a 48,15%).
Caso os resultados deste ano sejam confirmados, contudo, a diferença percentual ficará em 0,95%.
O atual presidente, Gustavo Petro, que apoiou Cepeda, questionou a contagem e não reconheceu a vitória de Espriella.
Já a vitória mais ampla ocorreu na primeira eleição de Juan Manuel dos Santos, em 2010. Ele venceu Antanas Mockus por 69,05% a 27,52%, uma diferença de mais de 5,4 milhões de votos.
Além disso, nesse período duas eleições foram definidas já no primeiro turno, em 2002 e 2026. Ambas foram vencidas por Álvaro Uribe, com 54,5% e 62,3% dos votos, respectivamente.
Divisão também no Congresso
Apesar do triunfo, o presidente eleito herdará um cenário político complexo. A Colômbia continua profundamente dividida entre direita e esquerda e o novo governo deverá enfrentar um Congresso fragmentado, o que pode dificultar a aprovação de suas principais propostas.
Aos 47 anos, De la Espriella jamais ocupou cargo eletivo. Conhecido na Colômbia como advogado criminalista de grande exposição midiática, construiu sua candidatura com um discurso de combate ao crime organizado, endurecimento das políticas de segurança e redução do tamanho do estado.
Admirador declarado de líderes como Donald Trump (Estados Unidos), Javier Milei (Argentina) e Nayib Bukele (El Salvador), o advogado se apresentou como um outsider disposto a romper com a política tradicional.
O futuro presidente prometeu ampliar o uso das Forças Armadas no combate às organizações criminosas, construir megapenitenciárias e fortalecer a exploração de petróleo e gás. Também defendeu cortes de impostos para empresas e uma ampla redução da estrutura estatal. Já Cepeda fez campanha com bandeiras como o fortalecimento da proteção dos direitos humanos, a redução da desigualdade e da pobreza e o aumento de impostos sobre os que ganham mais.
A vitória de De la Espriella ocorre em um momento de crescente preocupação dos colombianos com a segurança. O aumento da violência em algumas regiões do país e as dificuldades enfrentadas pelo governo para conter grupos armados ilegais transformaram o tema em um dos principais motores da eleição. Analistas apontam que a promessa de “mão dura” foi decisiva para sua chegada ao Palácio de Nariño.

