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Violência no Futebol: a impunidade continua vencendo

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Redação Tribuna do Norte




00h00

Edivan Martins
Advogado, jornalista e apresentador do Tribuna Livre, da Jovem Pan News Natal

Ofutebol nasceu como encontro. Muito antes das arenas modernas, dos contratos milionários e das transmissões globais, o esporte já carregava uma força rara: unir pessoas diferentes em torno da mesma emoção. Dos antigos conceitos helênicos, esculpidos pelos egípcios quatro mil anos antes de Cristo; das inspirações chinesas que moldaram o Kung Fu; das técnicas japonesas cultuadas no Jiu-Jitsu, até o futebol profissional contemporâneo, a competição sempre esteve ligada à paixão, mas jamais deveria ser confundida com barbárie, baderna e impunidade.

No Brasil, o futebol tornou-se patrimônio cultural. O Estado Novo editou a primeira carta jurídica do esporte brasileiro. A Constituição reconheceu o esporte como direito social. Vieram a Lei Pelé e o Estatuto do Torcedor, instrumentos destinados a proteger o cidadão. Mas, na prática, o vandalismo insiste em levantar troféus.

Os recentes confrontos envolvendo torcedores de ABC Futebol Clube e América Futebol Clube, reprisando mortes, agressões e consumo de drogas, revelam a falência do combate estrutural à violência organizada.

Suspender aqueles que vêm tocando o terror de frequentar os estádios está longe de resolver o problema. A violência não nasce nas arquibancadas. Ela se organiza fora delas. Planeja confrontos pelas redes sociais, ocupa bairros, desafia autoridades e age, muitas vezes, com a certeza da impunidade.

O Estado brasileiro ainda atua de forma episódica. Reforça policiamento em dias de clássico, monta barreiras e divulga operações, mas raramente investiga de maneira profunda quem financia, lidera e reincide nesses crimes. A ausência de inteligência policial transforma o bom torcedor em refém de marginais violentos.

Famílias trocaram a arquibancada pela televisão. O que antes era celebração popular passou a lembrar arenas de hooligans e tifosi violentos.

São repetitivas as cenas de guerra urbana em nome da rivalidade esportiva. Não são “brigas de torcida”. São crimes. E, como tal, precisam ser enfrentados: com investigação, identificação, responsabilização e punição exemplar dentro da lei.

O desafio atual é resgatar o direito das pessoas de voltarem aos estádios sem medo. Caso contrário, veremos, em breve, ao invés de jogadores, gladiadores entorpecidos vencendo partidas para um time que há décadas não consegue mudar o placar. Apesar de jogar com a força da lei e mais de 500 agentes treinados a cada jogo, o poder público segue na lanterninha.

Se a impunidade não sair de campo, a paz continuará sendo goleada antes do apito final.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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