
O PCC e o Comando Vermelho, juntos, estão presentes em mais unidades da federação do que a rede de fast food McDonald’s. Segundo o Mapa das Organizações Criminosas de 2024, documento do Ministério da Justiça, as duas facções somam atuação em 25 estados e no Distrito Federal.
A única exceção é o Rio Grande do Sul, que tem grupos criminosos próprios consolidados. O McDonald’s possui unidades em 23 dos 26 estados brasileiros e no DF. Acre, Amapá e Roraima não têm restaurantes da rede.
Divisão territorial
As facções não se sobrepõem nos principais estados. O PCC, fundado em 1993 em Taubaté, no interior paulista, não atua no Rio de Janeiro. O Comando Vermelho, criado no RJ, não está presente em São Paulo
A divisão é um acordo tácito de não interferência nos territórios dominados por cada organização, o que contribuiu para a expansão de ambas sem conflito direto entre si nas últimas décadas.
Porte econômico
Segundo o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, referência nacional no combate ao PCC, a facção reúne até 40 mil integrantes e movimenta aproximadamente R$ 6 bilhões por ano.
O financiamento principal vem do tráfico de drogas internacional, com roubo de cargas, assaltos a bancos e sequestros como fontes complementares.
A organização mantém estrutura hierárquica com estatuto próprio, sistema de arrecadação de contribuições mensais dos membros e representação em presídios de todo o país.
Ponto de comparação
O McDonald’s chegou ao Brasil em 1979, tem mais de 1.020 restaurantes e emprega cerca de 50 mil pessoas. O PCC foi fundado 14 anos depois e, em três décadas, construiu capilaridade territorial que rivaliza com qualquer empresa privada de alcance nacional
A comparação, originalmente feita pelo promotor Gakiya em declarações públicas ao longo dos anos, ganhou nova repercussão com a classificação das duas facções como organizações terroristas estrangeiras pelo governo dos EUA, a partir de 5 de junho.

