Ao menos sete pessoas morreram em bombardeios russos a várias regiões da Ucrânia na madrugada desta sexta-feira, 5, de acordo com autoridades locais. Mais de 200 drones foram lançados contra o país. A nova onda de ataques ocorre após o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pedir uma reunião com o seu homólogo da Rússia, Vladimir Putin, e propor um “cessar-fogo total”.
No X, antigo Twitter, Zelensky afirmou que a ofensiva russa atingiu a fábrica Yagotynske para Crianças, que produzia alimentos infantis. Além disso, ele informou que “armazéns de alimentos e uma agência dos correios na região de Dnipro, uma ambulância em Kherson, um prédio escolar na região de Sumy, infraestrutura portuária na região de Odessa, prédios residenciais comuns e um ambulatório na região de Kharkiv” foram atacados. O líder ucraniano também renovou o apelo aos aliados por ajuda militar.
“Rússia continua sua guerra contra a vida, e todos que nos ajudam estão verdadeiramente se levantando para defendê-la. Cada pacote de apoio com defesa antimíssil, cada acordo conjunto sobre produção de armas, cada passo que o mundo dá em sanções contra a Rússia – tudo isso ajuda a proteger vidas. Agradeço a todos que estão ao lado da Ucrânia! É importante que todos nós unamos esforços para forçar a Rússia a pôr fim à guerra e a avançar em direção à diplomacia”, acrescentou ele.
A capital, Kiev, reúne o maior número de vítimas do ataque, com quatro mortos no distrito de Brovary. Mortes também foram registradas em Kherson, no sul, em Zaporizhzhia e em Dnipropetrovsk, ambas no leste. As forças russas também atacaram Odessa, no sudoeste, onde casas e infraestruturas foram danificadas. Por lá, incêndios já foram controlados por bombeiros e psicólogos do Serviço Estatal de Emergência dão suporte a moradores afetados pelos bombardeios.
A Força Aérea da Ucrânia disse ter abatido ou neutralizados 198 drones de vários modelos — entre eles, o iraniano Shahed — e outros veículos aéreos não tripulados nas nas regiões norte, sul e leste do país. Segundo o comunicado, a operação incluiu 216 drones kamikaze e dois mísseis ar-ar guiados, usados para interceptar e destruir outros alvos aéreos. Os dispositivos vieram de diferentes direções, incluindo da Criméia, uma península ucraniana anexada ilegalmente pela Rússia em 2014.
+ Zelensky propõe encontro com Putin e ‘cessar-fogo total’
Carta de Zelensky
As negociações entre a Rússia e a Ucrânia estão paralisadas há meses, com as conversas lideradas pelos Estados Unidos praticamente congeladas devido à guerra com o Irã. Rodadas anteriores de negociações entre os dois lados em Istambul, Abu Dhabi e Genebra não conseguiram chegar a um acordo sobre a questão crucial do território em um acordo pós-guerra.
Em carta endereçada a Putin, Zelensky afirmou que os russos estão cada vez mais incomodados com a pressão ucraniana. “Eles não gostam dos nossos drones e mísseis. Não gostam da escassez de gasolina e dos preços em constante aumento. Não gostam das restrições constantes. Não gostam da sua intenção de lançar uma segunda onda de mobilização para expandir a guerra para outra direção na Ucrânia ou usá-la contra outros países vizinhos da Rússia. Não gostam do fato de que não há fim à vista para a sua guerra”, escreveu.
“Proponho uma reunião. Todos ouviram seus representantes, sorrindo, dizerem que eu supostamente poderia ir a Moscou. Mas, depois desses 26 anos, não há nada que um líder ucraniano possa fazer em sua capital — assim como não há nada que um líder russo possa fazer em Kiev. Há países que tradicionalmente recebem líderes para resolver questões de guerra e paz. Suíça, Turquia, os países do mundo árabe — muitos têm condições e estão dispostos a sediar tal reunião”, acrescentou ele.

